EFE/MARTIN ALIPAZ
EFE/MARTIN ALIPAZ

Às vésperas de eleição no Peru, Keiko baixa o tom

Filha de Fujimori tem pequena vantagem na votação de domingo, indicam pesquisas

Luiz Raatz, Enviado Especial / LIMA, O Estado de S. Paulo

04 Junho 2016 | 05h00

Sob forte pressão da oposição antifujimorista e da imprensa, a candidata à presidência do Peru Keiko Fujimori moderou seu discurso após o encerramento da campanha, em um comício na madrugada desta sexta-feira na periferia de Lima.

A filha do ex-presidente Alberto Fujimori disse à rádio RPP ser uma pessoa de consenso e democrática, apesar das propostas que ecoam estratégias adotadas no governo do pai (1990-2000).

“Nunca na minha carreira política dei sinais de autoritarismo”, disse Keiko à rádio RPP. “Sempre busquei o diálogo e o consenso. Como deputada, soube construir pontes, debater e discordar.”

A filha de Fujimori também afirmou que o partido criado por ela, em 2011, mostrou no Congresso, onde é oposição ao governo de Ollanta Humala, soube fazer uma oposição consciente e dialogou quando necessário. Como exemplo, citou o apoio do Fuerza Popular à eleição do presidente do Congresso, Luis Ibérico.

Keiko prometeu ainda que não indicará políticos de seu partido para cargos de controle da gestão do Estado, como a Defensoria e a Controladoria-Geral da República. “Temos de escutar e colocar os melhores técnicos nos cargos mais importantes. Não políticos”, afirmou.

Na madrugada, no comício que encerrou sua campanha, na periferia de Lima, Keiko criticou o rival, o economista Pedro Pablo Kuczynski, e prometeu unir o país. “Enquanto meu rival promove o ódio, o nosso compromisso é trabalhar pela unidade e reconciliação de todos”, discursou. “Esta é a grande mudança que traremos ao nosso país.”

Conservadorismo. Ao longo do segundo turno, a candidata do partido Fuerza Popular adotou uma retórica mais populista para contemplar os anseios de uma população que vê na violência urbana e na corrupção os principais problemas do Peru. 

Analistas políticos peruanos veem no endurecimento do discurso uma estratégia elaborada por assessores fujimoristas que tentaram colar em Keiko a imagem de eficácia, apesar de o ex-presidente ter sido condenado a 25 de prisão por crimes contra a humanidade e corrupção. 

No debate de domingo, a candidata citou indiretamente o pai ao dizer: “Se derrotamos o terrorismo, podemos derrotar a delinquência.”

Também no discurso de encerramento de campanha, Keiko voltou a prometer derrotar a criminalidade e disse ser a única capaz de conseguir controlar o crime. “O que falta é liderança e essa responsabilidade é do presidente”, disse. “Pretendo assumir essa responsabilidade.”

Partidários da candidata participavam animados do showmício, que começou à tarde e teve diversas atrações musicais no bairro de Villa El Salvador. “Voto nela porque é mulher e jovem”, disse ao Estado Sohana Díaz, cabeleireira de 44 anos. “Ela não tem nada a ver com o que fez o pai.”

Adversário. Kuczynski, por sua vez, encerrou a campanha com um comício em Arequipa, no sul do Peru. Pesquisas indicam que estão nas províncias da região o maior porcentual de indecisos, o que poderia favorecer o economista, que segundo o instituto CPI diminuiu a vantagem para Keiko nos últimos dias e agora está a 3,2 pontos porcentuais da candidata. “Peço que no domingo vocês optem pela democracia até o último voto”, disse. “Sem democracia e sem segurança, o país se tornará uma bomba-relógio.”

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