Ascensão de Berlusconi ameaça levar a impasse

Enquanto ex-premiê avança nas pesquisas, Mario Monti diz que não se aliará a ex-comunistas para formar maioria; eleição começa no domingo

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2013 | 02h04

O crescimento da coligação de Silvio Berlusconi e a redução da vantagem do favorito, o democrata Pier Luigi Bersani, podem lançar a Itália em um impasse político a partir do domingo. O risco aumentou nesta semana, depois que o primeiro-ministro demissionário, Mario Monti, afirmou que não está disposto a participar de um governo de coalizão com os ex-comunistas.

Sem essa aliança, dificilmente uma força política terá maioria nas duas casas do Parlamento nas eleições de domingo e segunda-feira.

Desde o dia 8, as pesquisas de opinião estão proibidas pela legislação eleitoral da Itália. A média das últimas cinco sondagens indica a fragmentação do quadro político. Bersani, líder do Partido Democrático (PD, ex-comunista, de centro-esquerda), aparece com 34,9% das preferências, pouco à frente da coalizão de Silvio Berlusconi, que reúne seu partido, Povo da Liberdade (PDL, direita), e a Liga Norte (extrema direita), que teria cerca de 28,9% dos votos.

Não bastasse a polarização, outros dois candidatos aparecem com mais de 10% da preferência: o radical de esquerda Beppe Grillo, com 16,4%, e o atual premiê, Mario Monti, com 13,7%. Além da disputa apertada e fragmentada, que confunde os analistas, outro fator de incerteza é o número de indecisos e de abstenções, que supera os 30%.

Segundo cientistas políticos, se essa configuração se mantiver, a tendência é que Bersani seja eleito o novo premiê da Itália, com maioria na Câmara dos Deputados. Isso porque, pelo sistema proporcional do país, o partido vencedor recebe automaticamente a maioria, elegendo 340 das cadeiras da Câmara, ou 54% do total de 630.

A tendência é a de que o Partido Democrático não obtenha a maioria dos 315 assentos do Senado, cuja formação se dá por uma mistura de senadores vitalícios e eleitos regionais. Na Lombardia, por exemplo, os partidos de Berlusconi e Bersani dividem a liderança, em uma eleição igual: 34,4% das preferências para cada lado. A situação é similar na Sicília e na Campânia, tradicionais redutos de direita. Caso perca na Lombardia, Bersani teria de vencer em todas as demais regiões para obter a maioria de 158 senadores, até mesmo em Vêneto, onde Berlusconi liderava com folga.

Nesse cenário, para conquistar a maioria, Bersani precisaria de uma coalizão. Com a pouca identificação entre o democrata e Grillo, a aliança mais provável seria com o centrista Monti - que na segunda-feira afirmou "não ter nada em comum" com a plataforma de Bersani.

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