Ascensão de falcões debilita moderados árabes

Negociador palestino alerta que coalizão com extrema direita acabará com interlocutores em Israel

Gustavo Chacra, O Estadao de S.Paulo

12 de fevereiro de 2009 | 00h00

Tzipi Livni, Binyamin Netanyahu, Kadima, Likud. Para os palestinos, árabes e iranianos mudam os nomes, mas o cenário continuará o mesmo: ocupação, construção de assentamentos e falta de perspectivas para a criação de um Estado palestino.Pessimista, Saeb Erekat, principal negociador palestino, disse que "qualquer que seja o futuro governo, ele não aceitará a solução de dois Estados e os acordos assinados e continuará com a construção de assentamentos, incursões e ataques". Mas ele advertiu que uma coalizão de governo com a extrema direita em Israel minará os esforços de paz conduzidos pelos palestinos moderados. "Pessoas como eu, todos os palestinos moderados e os do campo da paz, serão parte da história." O presidente palestino, Mahmud Abbas, afirmou, durante visita à Polônia, que até mesmo um governo de direita em Israel tem a obrigação de impedir a construção de novos assentamentos. "Caso o novo governo não faça isso, não sei o que acontecerá com as próximas etapas do processo de paz", afirmou. Líderes do Hamas disseram que Israel elegeu a "troika do terrorismo". Em entrevista à rede de TV Al-Jazira, do Catar, um dos líderes do grupo no exílio, Fawzi Barhum, afirmou que o resultado da votação "mostra que os eleitores sionistas claramente escolheram o mais radical no discurso, o que mais quer a guerra com os palestinos".Em Ramallah, governada pela Autoridade Palestina, a discussão sobre os resultados das eleições em Israel não era o tema mais importante. Os moradores estavam mais preocupados com a greve dos estudantes da Universidade Bir Zeit, por causa do aumento das mensalidades. Para Mahmud al-Masri, não interessa quem será o premiê de Israel. "É sempre a mesma política de ocupação", afirmou. Ele dava aulas na escola americana de Gaza, destruída em bombardeio israelense, e atualmente vive em Ramallah. "Os extremistas israelenses ficaram mais fortes", lamentou o aposentado Subi Daher.O jornal estatal egípcio Al-Ahram questionou como é possível uma sociedade que queira paz ter dado "a um fascista um apoio tão grande, indicando até mesmo que um dia ele poderá se tornar premiê", referindo-se ao ultranacionalista Avigdor Lieberman, cujo partido foi o terceiro mais votado."Não há diferença entre Tzipi e Netanyahu. A chegada de qualquer um dos dois ao poder não altera a realidade atual", escreveu em editorial o jornal oficial sírio Al-Thaura, acrescentando que os países árabes deveriam apoiar movimentos como o Hamas e o Hezbollah.No Irã, considerado o principal inimigo de Israel, o governo disse ver com indiferença o resultado da eleição. "Os candidatos que disputaram a eleição são os de sempre. A única coisa que muda são os planos deles para reprimir a população palestina", disse Hassan Qashvaqi, porta-voz da chancelaria.

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