José Méndez / EFE
José Méndez / EFE

Asilado no México, Evo Morales teme guerra civil na Bolívia

Ex-presidente diz ter informações de que existem ‘paramilitares organizados’ e ‘membros de gangues e viciados em drogas pagos’ pela direita do país para cometer atos violentos

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2019 | 14h51

CIDADE DO MÉXICO - O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, teme que possa estourar uma guerra civil em seu país, onde pediu aos seus compatriotas que coloquem um fim nos confrontos imediatamente.

"Eu tenho muito medo. Em nosso governo, unimos o campo e a cidade, leste e oeste, profissionais e não profissionais. Agora grupos violentos estão chegando", alertou Evo, quando questionado sobre o risco de uma guerra civil na Bolívia.

O ex-presidente, que está no México após aceitar o asilo político oferecido pelo governo do país, disse ter "informações em primeira mão" de que existem "paramilitares organizados" e "membros de gangues e viciados em drogas pagos" pela direita boliviana para cometer atos violentos pelas ruas do país.

Desde as eleições realizadas no dia 20 de outubro, a Bolívia vive uma grave crise, com pelo menos 20 mortos e mais de 500 feridos nos confrontos entre apoiadores e opositores de Evo. Segundo ele, o número seria ainda maior, pois nesta última semana, após sua renúncia, houve ao menos 23 "mortes por tiros".

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"Peço ao meu povo, do campo ou da cidade, pobres, humildes ou ricos que têm poder econômico, que não podemos lutar uns contra os outros. Quero que eles parem esse confronto", afirmou Evo, em entrevista realizada na Cidade do México neste domingo, 17.

Ele mostrou arrependimento, lamentando ter equipado as Forças Armadas do país, que quando chegou ao poder em 2006, segundo Evo, possuía apenas um helicóptero, e que agora "estão usando suas armas contra o povo".

Atos violentos financiados

O ex-mandatário também afirmou que alguns "poderosos" estão pagando entre 200 e 300 bolivianos (cerca de R$ 118 e R$ 177) aos trabalhadores para "cometer atos violentos", algo que muitos aceitam, já que o salário médio no país é de 120 bolivianos (cerca de R$ 70).

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"Esses trabalhadores da construção preferiram bloquear e agredir, em vez de ganhar 120 bolivianos com dignidade", afirmou.

Evo também disse que em universidades públicas e privadas há professores que incentivam os alunos a "bloquear estradas o dia todo" e, em troca, os aprovam em suas matérias.

Há uma semana, Evo Morales anunciou que haveria novas eleições presidenciais depois que a Organização dos Estados Americanos (OEA) revelou ter encontrado diversas irregularidades no pleito realizado em outubro, no qual ele havia sido reeleito para um quarto mandato.

No entanto, pouco depois, por sugestão da polícia e das Forças Armadas, Evo renunciou à presidência após quase 14 anos no poder. / EFE

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