Asilo significa fim da influência de Chen

Análise: Cláudia Trevisan

O Estado de S.Paulo

02 Maio 2012 | 03h04

O asilo nos EUA pode garantir a segurança e a integridade física de Chen Guangcheng e sua família, mas também é o caminho para o esquecimento e a insignificância política, como mostra a trajetória de outros exilados chineses. O caso que mais se parece com o de Chen é o de Fang Lizhi, astrofísico que se refugiou na Embaixada dos EUA em Pequim em junho de 1989, logo após a repressão aos protestos da Praça Tiananmen.

Fang e sua mulher, Li Shuxian, ficaram 13 meses na missão diplomática americana, antes de os governos dos dois países chegarem a um acordo sobre a saída do casal para os EUA. O astrofísico nunca mais conseguiu autorização para voltar à China e morreu em solo americano em abril.

No mesmo dia da morte de Fang, 7 de abril, um grupo de exilados que participaram dos protestos da Praça Tiananmen voltou a pedir autorização para visitar a China. Entre eles, está Wang Dan, que deixou a prisão para "tratamento médico" nos EUA, em 1996, e nunca mais conseguiu voltar.

"Os dissidentes chineses aprenderam ao longo das duas últimas décadas que o exílio leva a um acentuado declínio na habilidade pessoal de influenciar alguma coisa dentro da China. Liu Xiaobo, vencedor do Prêmio Nobel da Paz, que agora está no terceiro ano de uma sentença de 11 anos de prisão por subversão, deixou claro depois de sua captura que não aceitaria o exílio como uma opção à prisão", escreveu o especialista em literatura chinesa Perry Link.

Link morava em Pequim em 1989 e levou Fang e sua mulher à embaixada dos EUA logo depois do massacre na Praça Tiananmen. "Hoje, para Chen Guangcheng, os dois governos podem concordar que o exílio é a solução menos embaraçosa, segundo seus pontos de vista, mas Chen pode não aceitá-la."

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