Asmussen: Grécia precisará de ajuda extra após 2014

A Grécia precisará de ainda mais ajuda financeira, além dos programas de resgate acordados até 2014, informou neste domingo Joerg Asmussen, integrante do Banco Central Europeu (BCE). O governo de Atenas provavelmente não será capaz de voltar a financiar a sua dívida nos mercados financeiros em 2015 e 2016, exigindo assim mais assistência, disse ele à emissora alemã ZDF.

AE, Agência Estado

18 de novembro de 2012 | 17h01

Muitos dos parceiros da Grécia na zona do euro rejeitam a ideia de conceder ainda mais fundos e assistência de longo prazo, especialmente a chanceler alemã, Angela Merkel, que está entrando em ano eleitoral. Os credores internacionais têm mantido o endividado país a salvo desde 2010 e prometeram empréstimos de resgate no valor de 240 bilhões de euros (US$ 306 bilhões) até 2014 porque os gregos não conseguiam mais refinanciar a sua dívida no mercado.

Investidores exigiram taxas de juro proibitivas da Grécia, temendo que o país possa dar um calote na dívida. Mas uma recessão mais profunda que a esperada e atrasos na implementação das medidas de austeridade e reformas criaram um novo déficit orçamentário de aproximadamente 30 bilhões de euros no atual programa de resgate.

Ministros de Finanças da zona do euro, o BCE e o Fundo Monetário Internacional (FMI) se reunirão na terça-feira para decidir como tapar o buraco. "Na próxima semana, nós devemos resolver o financiamento para os anos de 2013 e 2014, mas é preciso ser honesto e dizer que nós realmente não esperamos que o país tenha acesso aos mercados em 2015 e 2016. Isso significa que um programa de continuação seria necessário", afirmou Asmussen à ZDF.

Os credores inicialmente esperavam que a dívida grega pudesse ser reduzida para um patamar mais sustentável de 120% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2020. Mas o endividamento da Grécia agora é projetado em 190% do PIB no próximo ano, levando-os a propor a concessão de mais dois anos para cumprir a meta. No entanto, o FMI e muitos economistas temem que a prorrogação do prazo e novos empréstimos ainda não serão suficientes e que os credores na zona do euro podem ter que perdoar parte da dívida grega.

Mas tal opção é intragável para muitos líderes políticos na Europa, que se opõem à ideia de dizer aos eleitores que bilhões de euros arrecadados dos contribuintes serão perdidos. "Nós não podemos ajudar o país com empréstimos apenas", insistiu Asmussen. "Isso fecha a lacuna de financiamentos, mas ao mesmo tempo aumenta a dívida do país", explicou. As informações são da Associated Press.

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