Assad acusa Ocidente de apoiar 'terroristas' rebeldes

Líder sírio manifesta ao 'Clarín' pouca esperança de progresso na negociação, nega uso de arma química e diz que não renuncia

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2013 | 02h04

Em rara entrevista concedida a um jornal e uma agência de notícias estrangeiros, o presidente da Síria, Bashar Assad, deu a entender ao Clarín e à Telam que não há possibilidade de um verdadeiro progresso nas negociações para uma solução pacífica ao conflito que atinge o país árabe há dois anos.

"Não acreditamos que vários países ocidentais realmente queiram uma solução para a Síria", disse Assad em entrevista publicada ontem no site do jornal argentino. O presidente sírio acusou nações ocidentais de apoiarem os "terroristas" que se rebelaram contra seu governo. "Aplaudimos os esforços, mas temos de ser realistas", afirmou Assad, referindo-se à recente movimentação de EUA e Rússia para a realização, em Genebra, de negociações de paz em junho. "Tenho de ser claro. Há uma con fusão no mundo entre a solução política e o terrorismo. Eles creem que uma conferência política deterá o terrorismo no território sírio. Isso é irreal", declarou.

Assad rejeitou a possibilidade de renunciar à presidência e disse que vai concorrer à reeleição, em pleito programado para ocorrer no ano que vem, acrescentando que só aceitaria monitores eleitorais de países amigos, como Rússia e China. "Não renuncio. A renúncia seria fugir. O povo dirá quem fica ou quem deve sair, não os EUA."

O presidente Assad negou as acusações de grupos rebeldes de que teria usado armas químicas no conflito. "Isso significaria matar milhares ou dezenas de milhares de pessoas em questão de minutos. Quem poderia esconder algo assim?". Segundo Assad, as acusações de uso de armas químicas e os rumores sobre sua renúncia seriam usados como "um prelúdio para uma guerra contra o nosso país".

Ele ainda contestou as estimativas da ONU de que o número de mortos no conflito sírio passa dos 80 mil. "Não deveríamos ignorar que muitos dos mortos dos quais eles falam são estrangeiros que vieram matar o povo sírio", disse, sugerindo que "o terrorismo local e o vindo de fora" seriam os culpados pela violência. Em outro momento da entrevista, Assad acusou Israel de fornecer suporte logístico e ajuda direta aos rebeldes, indicando pontos estratégicos a serem atacados.

Ainda ontem, oposicionistas afirmaram que forças do governo mataram e incineraram ao menos 17 pessoas em operação militar ontem em Homs , que vem sendo palco de violência. / NYT

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