Assad admite 'erros' em conflito na Síria, diz revista

'Ainda que os erros tenham sido cometidos na execução, nossas decisões fundamentais estão corretas', afirma presidente em entrevista

AE, Agência Estado

06 de outubro de 2013 | 15h52

O presidente sírio Bashar Assad admitiu ter cometido "erros" no começo da revolta contra ele em março de 2011, em uma entrevista publicada neste domingo pela revista alemã Spiegel.

"Sejam quais forem as decisões políticas tomadas, erros acontecem. Em toda parte do mundo. Somos apenas pessoas", afirmou Assad em resposta à pergunta se foi um erro ter respondido com violência aos protestos pacíficos nos primeiros dias de revolta contra o reinado de 40 anos de sua família.

"Erros pessoais cometidos por indivíduos acontecem. Todos nós cometemos erros. Mesmo o presidente comete erros, mas ainda que os erros tenham sido cometidos na execução, nossas decisões fundamentais estão corretas", afirmou Assad.

Após o regime sírio ter lançado uma brutal repressão aos manifestantes o conflito se espalhou rapidamente e atingiu a escala de guerra civil com aproximadamente 115 mil mortes e milhares de pessoas forçadas a abandonarem suas casas.

Ao responder à pergunta se a oposição armada tem a responsabilidade total pelos massacres e se suas forças são totalmente inocentes, Assad replicou "você não pode absolutamente dizer que eles são 100% responsáveis ou tiveram responsabilidade zero."

"A realidade não é branca e preta, existem também sobras em cinza, mas basicamente é correto dizer que estamos nos defendendo", afirmou ele.

"E eu não posso me preocupar com erros individuais, considerando que existem 23 milhões de sírios. Todo país combate criminosos. Ele estão em toda parte (incluindo) no governo, no exército."

Assad também negou o uso de armas químicas contra seu povo e disse que seu governo está cooperando totalmente com o especialistas internacionais em desarmamento e com os inspetores da ONU. "Somos muito transparentes. Os especialistas podem ir a qualquer lugar. Eles terão acesso a todos os dados por parte do governo."

O presidente sírio desmentiu as acusações do presidente americano Barack Obama de que as forças sírias são responsáveis pelo ataque com armas químicas que matou centenas no subúrbio de Damasco em Agosto.

"Não usamos armas químicas. Isso é falso", afirmou Assad. "E o retrato que estão fazendo de mim, de alguém que mata seu próprio povo... Obama não apresentou uma simples prova de evidência, nem uma parcela de evidência. Ele não tem nada a oferecer a não ser mentiras."

Os inspetores da ONU que estão investigando o ataque ocorrido em 21 de agosto disseram em relatório que gás sarin foi usado, mas não estavam autorizados a dizer quem foi o responsável pelo ataque.

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