AFP PHOTO / Syrian Presidency Press Office
AFP PHOTO / Syrian Presidency Press Office

Assad afirma que ataque químico foi '100% fabricado'

Presidente sírio acusa os EUA e outros países de ocidente de serem cúmplices de grupos terroristas e inventarem ação em Khan Shikhoun como 'pretexto para o ataque' a uma base síria; ele disse que deseja uma investigação imparcial sobre o caso

O Estado de S.Paulo

13 Abril 2017 | 11h02

DAMASCO - O presidente sírio, Bashar Assad, afirmou que o ataque químico em uma cidade rebelde da Síria foi totalmente fabricado e serviu de "pretexto" para justificar os ataques americanos contra o exército sírio. Assad fez as afirmações em entrevista exclusiva concedida na quarta-feira à AFP em Damasco.

"Para nós, trata-se de um evento 100% fabricado", afirmou Assad em sua primeira entrevista após o ataque de Khan Shikhoun, na província de Idlib, e as represálias americanas. "Nossa impressão é que o Ocidente, principalmente os Estados Unidos, é cúmplice dos terroristas e montou essas história para servir de pretexto para o ataque" de 7 de abril contra uma base aérea no centro do país, acrescentou Assad.

Os ocidentais culparam o regime de Assad pelo suposto ataque químico e, em retaliação, os Estados Unidos realizaram seus primeiros ataques contra uma base militar do regime sírio desde o início do conflito, há seis anos.

O suposto ataque químico, cujas imagens de pessoas atingidas chocaram o mundo, causou em 4 de abril a morte de 87 civis, incluindo 31 crianças, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), ONG sediada em Londres que monitora o conflito.

"As únicas informações disponíveis para o mundo até o momento presente são as publicadas pela facção da Al-Qaeda", assegurou o chefe de Estado sírio em referência ao grupo extremista islâmico Fatah al-Sham, que controla a cidade de Khan Shikhoun com os rebeldes.

Assad negou qualquer envolvimento no ataque, argumentando que seu regime não possui armas químicas desde 2013. "Nós não possuímos armas químicas (...) Há vários anos, em 2013, renunciamos a todo o nosso arsenal (...) E mesmo que possuíssemos tais armas, nunca usaríamos", ressaltou ele.

O presidente sírio afirmou ainda que deseja uma investigação sobre o que aconteceu em Khan Shikhoun, mas desde que seja "imparcial". "Vamos trabalhar (com os russos) para uma investigação internacional. Mas deve ser imparcial. Só iremos permitir uma investigação se, e somente se, for imparcial e com a participação de países imparciais para ter a certeza de que não será utilizada para fins políticos", disse ele. / AFP

Mais conteúdo sobre:
DAMASCO Bashar Assad Síria Estados Unidos

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.