Assad aperta cerco a rebeldes em Alepo

Ofensiva do governo sírio obriga insurgentes a recuar; Liga Árabe suspende reunião sobre a crise que seria realizada na Arábia Saudita

ALEPO, SÍRIA, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2012 | 03h03

A violência na cidade de Alepo, a maior do norte da Síria, intensificou-se ontem, depois que tanques, peças de artilharia pesada e atiradores do regime de Bashar Assad conseguiram obrigar os insurgentes, que controlavam a região a recuar. Os confrontos se concentraram no distrito de Saif al-Dawla, vizinho a Salaheddine, bairro devastado na semana passada.

Enquanto crescia ainda mais a violência em Alepo, há quatro dias sob ataque contínuo, a Liga Árabe decidiu suspender uma reunião sobre a crise síria que ocorreria na Arábia Saudita. Os países da região deveriam se reunir ontem para anunciar o nome do novo enviado especial do bloco e da ONU para a Síria. Os motivos do cancelamento do encontro não foram revelados. O mais cotado para o cargo, antes ocupado pelo ex-secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan, é o diplomata argelino Lakhdar Brahimi.

Ahmed Ben Helli, da Liga Árabe, afirmou que a reunião foi postergada em função de uma cirurgia do ministro saudita das Relações Exteriores, o príncipe Saud al-Faisal. O ministro passou por pequena operação no intestino no sábado. A Arábia Saudita e o Catar têm liderado os esforços para isolar o presidente sírio. Acredita-se que os dois Estados estejam fornecendo armas para os rebeldes sírios.

Em meio a relatos de atrocidades, incluindo execuções sumárias e tortura praticadas por ambos os lados, a população que restou em Alepo assistia temerosa aos combates de rua. Tanques e aviões de ataque de Assad continuaram alvejando bairros dominados pelos insurgentes ao longo do dia.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, grupo opositor com sede em Londres, os bairros de Chaar, Tariq al-Bab, Hanano, Boustane al-Qasr e Salaheddine têm sido alvo de violentos disparos de artilharia. Cortes de água e eletricidade são frequentes.

Denúncias. As forças leais a Assad executaram sumariamente dez civis na cidade de Homs, segundo opositores. "Membros das milícias detiveram cerca de 350 pessoas do distrito de Shamas, reuniram todos em um pátio e executaram dez", informou ontem o Conselho Geral da Revolução Síria, um dos muitos grupos que compõem a oposição. Segundo ele, não se sabe o destino das outras 340 pessoas.

Agências das Nações Unidas e ONGs vêm tentando documentar as atrocidades cometidas na guerra civil na Síria. A violência e o recorrente veto do regime à presença desses grupos dificultam o trabalho. / REUTERS

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