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Assad atribui protestos a complô internacional e mantém emergência

Oposição decepciona-se com discurso do presidente da Síria e com o fato de ele não ter anunciado novas reformas no país

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

31 Março 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Ignorando os apelos para revogar o estado de emergência, o líder sírio, Bashar Assad, culpou uma suposta conspiração internacional pelos protestos de opositores que se intensificaram nas últimas semanas na Síria. O presidente, ao discursar no Parlamento de Damasco para a nação síria, tampouco se aprofundou em reformas políticas, abordando o tema apenas genericamente.

A oposição, decepcionada com o discurso de Assad, convocou amplos protestos para amanhã, que é dia de descanso nos países muçulmanos. Simpatizantes do governo também afirmaram que irão às ruas amanhã, após terem conseguido reunir dezenas de milhares de pessoas em um ato pró-regime na terça-feira.

Os EUA e outros países também lamentaram a decisão de Assad de não levantar o estado de emergência e aprofundar as reformas políticas. Os americanos temem o aumento da instabilidade em Damasco, que abriria mais um foco de tensão no mundo árabe, além da Líbia e do Iraque.

"Tenho certeza de que a Síria enfrenta uma grande conspiração cujos tentáculos se estendem para países próximos e distantes, com alguns dentro deste país", disse Assad, que foi interrompido uma série de vezes por parlamentares que buscavam demonstrar apoio a seu governo. "E eles (os conspiradores) querem que a Síria fique fraca e desintegre, removendo o último obstáculo dos planos israelenses", acrescentou.

Apesar da teoria da conspiração, na qual Assad também envolveu as redes de TV, o discurso foi marcado pela ausência de anúncios de reformas. Ele mencionou o estado de emergência apenas uma vez, de uma forma ambígua, sem afirmar se será levantado. A lei permite que pessoas sejam presas sem ordem judicial, restringe partidos de oposição e facilita a censura à imprensa. A expectativa agora é que o novo governo, ainda não divulgado, determine o fim da lei que está em vigor desde 1963.

Além disso, o líder sírio insistiu que as reformas começaram há muitos anos. Segundo Assad, essas decisões foram tomadas no Congresso do Partido Baath em 2005 e já estavam previstas desde o ano 2000, quando ele assumiu o poder. Em seguida, citou uma série de obstáculos à aplicação, como o "11 de Setembro, ocupação do Iraque e do Afeganistão, Guerra do Líbano, em 2006, e Gaza, em 2008". "Aplicar as reformas como um reflexo da onda que afeta a região pode ser destrutivo", disse.

Logo depois do discurso, segundo relatos das agências de notícias, milhares de pessoas saíram às ruas de Latakia e Deraa, que têm concentrado os principais protestos da oposição, nos quais mais de cem pessoas morreram. Já a TV estatal síria mostrava milhares de pessoas em uma praça de Damasco, onde o apoio ao regime é maior. As manifestações também continuaram no Facebook e no Twitter. Opositores agora insistem nas páginas dos sites "que o objetivo final é derrubar o regime".

O analista libanês Elias Muhanna disse que "o discurso de Assad hoje foi completamente reacionário e sem nenhum gesto conciliatório". O blog News From Syria, um dos mais acessados para acompanhar a situação em Damasco, acrescentou que "mesmo os simpatizantes de Assad estão deprimidos. Estávamos esperando a revogação do estado de emergência e também uma nova lei de partidos, abertura da mídia. Mas não obtivemos nada".

Bahrein

A oposição ao rei bareinita, Hamad bin Isa al-Khalifa, disse ontem que a polícia executou mais um dissidente, em uma cidade a oeste de Manama

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