Assad cerca insurgentes sírios no sul de Damasco

França anuncia reunião com aliados para ajudar oposição, já sem armas, a reagir

BEIRUTE, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2013 | 02h05

À espera das armas que devem chegar do exterior, após a decisão dos EUA, na semana passada, de permitir o auxílio aos rebeldes, a oposição da Síria prometeu ontem que resistirá à ofensiva do governo do presidente Bashar Assad. Com o apoio do movimento xiita libanês Hezbollah, o regime de Assad aumentou a pressão sobre os rebeldes na periferia no sul de Damasco.

De acordo com militantes rebeldes, as forças do ditador tentam esmagar a rebelião nos arredores da capital com o objetivo de cortar as linhas de abastecimento dos redutos opositores. "A situação é grave. O regime tenta minar a força dos rebeldes com o objetivo de avançar para o sul da capital", afirmou ontem um ativista à France Presse pela internet.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos(OSDH), grupo opositor com base em Londres, registrou bombardeios em Zayabiya e Babila, duas localidades rebeldes xiitas no sudeste da capital, onde "combatentes do Hezbollah estão em grande número", segundo o grupo.

A emissora Al-Manar, canal do Hezbollah, confirmou ontem que o grupo está envolvido nos combates e auxilia o Exército sírio a avançar na direção de Zayabiya. Os rebeldes mantêm sua retaguarda nas localidades no sul da capital, mas sua eventual derrota colocaria em risco outras posições insurgentes.

Ontem, uma forte explosão ocorreu na cidade costeira de Latakia, cujo porto, o maior da Síria, é usado como entreposto militar dos russos. Rebeldes e redes de TV não souberam dizer o que causou a explosão. O governo alega que foi uma "falha técnica" em um depósito de munição. Segundo o OSDH, 13 soldados ficaram feridos, incluindo 6 em estado grave.

Diplomacia. O Ministério das Relações Exteriores da França anunciou ontem que as principais nações que compõem o grupo Amigos da Síria se reunirão no sábado em Doha, no Catar, para discutir a ajuda ao Exército Sírio Livre (ESL) após os recentes avanços das forças do governo. A reunião terá a participação de chanceleres dos 11 países que compõem o núcleo da aliança pró-rebelde, incluindo França, EUA, Grã-Bretanha, Egito e Arábia Saudita.

Segundo um funcionário da chancelaria francesa, que falou sob condição de anonimato, o encontro será uma oportunidade para fazer um balanço da cúpula do G-8, realizada esta semana na Irlanda do Norte, e discutir o envio de ajuda aos rebeldes. "Precisamos responder às necessidades da oposição para reequilibrar o poder", afirmou o funcionário. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.