Assad chama opositores de fantoches e questiona 'revolução'

Presidente sírio quer entendimento nacional para fim dos conflitos, e propõe diálogo com 'indivíduos e partidos'

BBC Brasil, BBC

06 de janeiro de 2013 | 10h24

O presidente sírio, Bashar al-Assad fez um raro pronunciamento de TV, no qual chamou seus adversários de "inimigos de Deus e fantoches do Ocidente".

Ele lamentou o sofrimento das pessoas por conta da guerra civil, dizendo que uma "nuvem negra" de dor cobriu todos os cantos do país.

Assad também se disse disposto a definir um plano de paz envolvendo uma conferência de diálogo nacional e um referendo sobre uma nova carta (Constituição).

A ONU estima que mais de 60 mil pessoas foram mortas no levante contra o presidente, que começou em março de 2011.

Ele rejeitou o movimento de oposição da Síria, qualificando os rebeldes como marionetes fabricadas pelo Ocidente, e disse que a Síria queria negociar com os "os mestres e não com os servos".

Assad afirmou que a Síria não rejeita a diplomacia, mas insistiu que não iria negociar com as pessoas com idéias "terroristas".

'Quem é o líder?'

O discurso foi intercalado com aplausos e cânticos de seguidores, que lotavam a Ópera de Damasco.

Ele disse que a oposição contra ele não faz uma revolução.

"Isso (uma revolução) precisa de pensadores e ser baseado em uma idéia", disse ele. "E precisa de liderança - quem é o líder desta revolução?"

Assad acusou os rebeldes de roubar trigo do povo, privar as crianças de escola e cortar a eletricidade e suprimentos médicos.

Ele disse: "O sofrimento está tomando a terra da Síria. Não há lugar para a alegria enquanto a segurança e a estabilidade estão ausentes nas ruas de nosso país.".

Assad chamou todos os cidadãos a defenderem o país de acordo com seus meios.

"A nação é para todos e todos devemos protegê-la", disse ele.

Ele disse que esperar por ajuda de outros "apenas levaria o país ao desastre".

O plano

Assad listou uma série de medidas que, segundo ele, seriam uma solução para a crise:

Poderes de fora devem parar de armar o que chamou de "grupos terroristas" O exército, então, suspenderá as operações militares, reservando-se o direito de defender os interesses do Estado O governo, então, entrará em contato com o que ele chamou de "indivíduos sírios e partidos políticos" para que se estabeleça uma conferência de diálogo nacional A conferência tentaria estabelecer uma carta nacional que seria submetida a referendo, levando a eleições parlamentares e a um novo governo Tentativas diplomáticas para pôr fim ao conflito na Síria até agora fracassaram.

O enviado da ONU e da Liga Árabe, Lakhdar Brahimi, apresentou um plano de criar um governo de transição.

Mas a iniciativa não deixa claro o papel de Assad. A oposição síria tem insistido que o presidente deve deixar o cargo para o conflito acabar.

Brahimi e o ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, disseram na semana passada que uma solução negociada era a única opção.

'Viver e morrer'

Em uma entrevista à televisão russa em novembro, Assad disse que iria "viver e morrer na Síria".

Desde então, os rebeldes ganharam o controle de faixas de território no Norte dos país, e formaram um conselho de liderança mais abrangente, reconhecido por EUA e UE.

Mas os esforços da oposição para ganhar terreno em torno das grandes cidades, incluindo Damasco, foram debelados por forte resistência e ataques aéreos cada vez mais destrutivos.

Após o discurso deste domingo, no qual Assad também agradeceu ao apoio de China, Irã e Rússia, a oposição síria afirmou que o presidente tenta "embrulhar" um plano de paz. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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