Assad diz estar pronto para 'negociar sobre tudo' e promete recuperar toda a Síria

Presidente negou, em entrevista à emissoras de rádio e TV da França, que tenha cometido violação dos direitos humanos ou crimes de guerra e disse querer falar com a 'verdadeira' oposição ao seu governo

O Estado de S. Paulo

09 Janeiro 2017 | 08h46

DAMASCO - O presidente sírio, Bashar Assad, disse que o governo está disposto a negociar sobre tudo nas conversas de paz propostas a serem realizadas no Casaquistão, mas ainda não estava claro quem representaria a oposição e também não há uma data marcada.

Assad também afirmou que um cessar-fogo mediado pela Turquia e a Rússia, seu principal aliado, estava sendo violado e prometeu que o governo vai reconquistar toda a Síria, incluindo a área controlada por rebeldes perto de Damasco onde uma rede vital de fornecimento de água foi bombardeada.


"Temos a legitimidade para libertar qualquer zona controlada pelos terroristas, independentemente do nome que eles utilizem", disse o presidente às rádios RTL e France Info e ao canal de notícias LCP. "Podem se chamar Estado Islâmico (EI), Al-Nusra (antigo braço sírio da Al-Qaeda), dizer que são moderados ou Capacetes Brancos (serviços de socorro nas zonas rebeldes), não interessam os nomes", disse Assad.

"Nossa missão constitucional é libertar cada centímetro quadrado do território sírio, isso nem mesmo se discute", acrescentou o presidente sírio, que rejeitou as acusações de violação dos direitos humanos, de crimes de guerra e de lesa humanidade. 

"Se tivéssemos feito tais coisas não teríamos apoio, não seria presidente, o governo não existiria mais", disse Assad ao se referir, entre outras, às acusações de torturas de presos e bombardeios de civis e hospitais. "Pudemos resistir durante toda a guerra porque temos apoio popular. E não se pode ter apoio popular se matamos os próprios cidadãos. Portanto, esta história não se sustenta", afirmou.

A Rússia disse no mês passado que havia acertado com Assad, Irã e Turquia que a capital do Casaquistão, Astana, deveria ser o local para novas conversações de paz depois que os rebeldes sofreram sua maior derrota na guerra ao serem expulsos de Alepo.

A Turquia, que apoia a oposição a Assad, e a Rússia também mediaram uma trégua como um passo a caminho de recuperar a diplomacia, mas ambos os lados trocam acusações sobre violações do cessar-fogo.

Assad disse que a delegação do governo está pronta a negociar em Astana "quando o momento da conferência for definido". "Estamos prontos para negociar sobre tudo", disse. Perguntado se isso incluía sua posição como presidente, Assad disse: "Sim, mas minha posição está relacionada à Constituição". 

Assad disse ainda que não se sabe quem participará do encontro pelo lado da oposição, mas disse querer falar à "verdadeira" oposição síria. "Quando digo 'verdadeira', quero dizer que tem suas raízes na Síria, não a saudita ou a francesa ou a britânica... Deve ser uma oposição síria para falar sobre os problemas sírios, o êxito desta conferência dependerá deste ponto", concluiu.

A repressão sangrenta de manifestações de protesto em março de 2011 deu lugar rapidamente a uma guerra civil na Síria, que se converteu em conflito internacional. Mais de 310 mil pessoas morreram em quase seis anos de guerra. / REUTERS e AFP

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