Syrian Presidency via AP
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Assad diz que ataques dos EUA contra sírios foram ‘intencionais’ e culpa país por fim de trégua

Presidente sírio negou acusações de que foram aviões sírios ou russos que atacaram um comboio de ajuda humanitária em Alepo

O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2016 | 14h57

DAMASCO - O presidente da Síria, Bashar Assad, disse que os ataques aéreos dos EUA contra as tropas de Damasco no leste do país foram “definitivamente intencionais”, com uma hora de duração, e culpou Washington pelo fracasso do acordo de cessar-fogo estabelecido com a Rússia.

Em uma entrevista à agência de notícias Associated Press, Assad afirmou que é provável que a guerra, que está em seu sexto ano, “continue”. Ele também destacou que os americanos “não têm vontade” de se unir aos russos na luta contra os extremistas islâmicos no território sírio.

Assad negou as acusações de que foram aviões sírios ou russos que atacaram um comboio de ajuda humanitária em Alepo, e de que as tropas sírias estão impedindo a chegada de alimentos na área da cidade controlada pelos rebeldes.

“Os EUA não têm vontade de lutar contra (os grupos islâmicos) Al-Nusra ou Estado Islâmico porque acreditam que são peças com as quais podem jogar conforme seus próprios fins. Se atacam a Al-Nusra ou o Estado Islâmico, perderão uma peça muito importante para eles na Síria.”

O presidente sírio também rejeitou a explicação por parte dos EUA de que foi um erro. “Não foi um erro porque não foi, digamos, um avião que lançou uma única bomba por acidente. Foram quatro aviões que atacaram seguidamente uma único local (...) por mais de uma hora. Ninguém comete um erro por mais de uma hora.”

Assad negou as denúncias de que foram aviões sírios que bombardearam o comboio de ajuda humanitária em Alepo, e declarou: “Eu diria que qualquer coisa que digam os funcionários americanos sobre o conflito na Síria, em geral, carece de credibilidade. Tudo o que dizem são mentiras”.

O presidente ainda disse que a guerra terminará e que a paz algum dia voltará ao seu país. “A devastação é dolorosa, claro, mas podemos reconstruir o país. Vamos fazê-lo. Algum dia a guerra acabará. O mais doloroso é a destruição da sociedade, a matança, o derramamento de sangue, algo que vemos todos os dias a toda hora.”

Para Assad, “quando há muitos elementos externos que não se pode controlar, acaba-se por estender (a guerra) e ninguém neste mundo pode dizer quando” vai acabar. Ele ressaltou que os sírios que deixaram o país poderiam voltar em poucos meses, se EUA, Arábia Saudita, Turquia e Catar deixassem de respaldar os insurgentes. / ASSOCIATED PRESS

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