Assad diz que Europa 'pagará o preço' por armar rebeldes

Em entrevista a jornal alemão, ditador sírio afirma que ajuda militar a seus inimigos 'espalhará o terrorismo pelo mundo'

BERLIM, O Estado de S.Paulo

18 Junho 2013 | 02h08

A Europa "pagará o preço" se fornecer armas às forças rebeldes na Síria, disse o presidente sírio, Bashar Assad, em entrevista que será publicada hoje pelo jornal alemão Frankfurter Allgemeine.

"Se os europeus fornecerem armas, o quintal da Europa vai se tornar terrorista e a Europa vai pagar o preço disso", disse Assad. O ditador sírio também alertou que a entrega de armas para os rebeldes resultará na exportação do "terrorismo".

São as primeiras declarações de Assad desde que os EUA anunciaram, na quinta-feira, que forneceriam ajuda militar às forças que tentam depor o governo sírio. "Os terroristas ganharão experiência no combate e retornarão com ideologias extremistas."

Grupo dos Oito. O presidente dos EUA, Barack Obama, debateu a situação da Síria numa reunião tensa com seu colega russo, Vladimir Putin, ontem, durante a cúpula do Grupo dos Oito, na Irlanda do Norte. A estratégia da diplomacia americana foi a de tentar convencer Putin a atrair Assad para a mesa de negociações. Putin, no entanto, tem alertado que o Ocidente poderá agravar o conflito sírio e espalhá-lo para o restante do Oriente Médio caso siga armando os rebeldes.

O premiê britânico, David Cameron, anfitrião da cúpula do G-8, admitia antes do encontro a "grande diferença" entre as posições da Rússia e do Ocidente sobre a Síria, mas salientou que há também um terreno comum entre as potências industrializadas desse grupo.

No domingo, Putin descreveu os inimigos de Assad como canibais que comem as tripas dos inimigos diante das câmeras. "É essa gente que vocês querem apoiar? São para eles que vocês querem entregar armas?", disse Putin em Londres, por onde passou a caminho da cúpula.

Já o premiê canadense, Stephen Harper, disse que Putin - único aliado de Assad no G-8 - está apoiando bandidos. "Não chegaremos, a menos que haja uma grande mudança da parte dele, a uma posição comum."

A Rússia reiterou ontem que não permitirá a criação de uma zona de exclusão aérea sobre a Síria. Relatos indicam que o plano seria defendido pelos EUA. "Vimos com o exemplo da Líbia como a zona de exclusão aérea é implementada. Não queremos repetir isso na Síria. Não pretendemos permitir tal cenário", disse o porta-voz da chancelaria russa, Alksander Lukashevich. / REUTERS e AP

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