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Assad diz receber informações sobre bombardeios ao EI

Presidente sírio afirmou, em entrevista à 'BBC', que não tem diálogo com EUA, mas recebe mensagens de outros países, como o Iraque

O Estado de S. Paulo

10 de fevereiro de 2015 | 09h01


LONDRES - O presidente da Síria, Bashar Assad afirmou, em entrevista a rede BBC, que recebe mensagens sobre os bombardeios realizados pela coalizão internacional contra posições dos jihadistas do Estado Islâmico (EI).

Assad disse que seu governo não quer dialogar com as autoridades americanas sobre o EI porque, na sua opinião, "eles não falam com qualquer um, a menos que seja um fantoche". No entanto, o líder sírio admitiu receber informações de maneira indireta, a partir de outros países, como o Iraque, sobre as atividades que os aviões de guerra dos EUA e de países árabes realizam.

"Às vezes transmitem uma mensagem, uma mensagem geral, mas nada tático. Não há diálogo. Há, digamos, informação, mas não há diálogo", disse Assad na entrevista. O presidente negou qualquer possibilidade de seu governo se unir à coalizão para combater o EI na Síria.

"Não, definitivamente não, não temos vontade nem queremos por uma simples razão, porque não podemos estar em uma aliança com um país que apoia o terrorismo, porque estamos combatendo o terrorismo". Quando fala em combater o terrorismo, o líder sírio se refere aos rebeldes que lutam contra o regime.

O presidente negou que suas forças lancem de maneira indiscriminada bombas de barril carregadas com explosivos, pregos e outros tipos de estilhaços contra áreas rebeldes, causando a morte de milhares de civis.

"Temos bombas, mísseis e balas. Não há bombas de barril", afirmou Assad. "Quando dispara, aponta, e quando aponta, aponta para os terroristas a fim de proteger civis. Não se pode ter uma guerra sem baixas", acrescentou.

As organizações humanitárias denunciam que as bombas de canhão são geralmente lançadas de helicópteros de grande altitude, que a princípio apenas as forças do governo sírio utilizam, o que torna impossível mirar um alvo de maneira precisa.

Estima-se que mais de 170 mil pessoas morreram desde o começo do conflito na Síria, em março de 2011, e um terço das vítimas são civis. /EFE

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