Assad intensifica ofensiva no norte sírio

Intenção do ditador seria impedir o fluxo de refugiados na direção da Turquia

BEIRUTE, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2012 | 03h05

As forças de Bashar Assad intensificaram ontem sua presença na fronteira da Síria com a Turquia, segundo os rebeldes instalando minas na região com o objetivo de impedir a saída de quem tenta escapar do país. Tanques e atiradores de elite avançaram nos subúrbios de Damasco e ativistas denunciaram uma ofensiva das tropas do ditador que deixou 95 mortos em Taftanaz, um vilarejo próximo a Idlib, no norte.

Segundo o militante antigoverno Fadi al-Yassin, 37 das vítimas de Taftanaz, cujos corpos não puderam ser identificados, foram enterradas em uma cova coletiva, após o Exército se retirar do vilarejo, na quinta-feira. Envolvidos em cobertores, os cadáveres foram postos lado a lado pelos moradores.

"Devastaram Taftanaz. Todas as casas foram demolidas. Tudo foi destruído", afirmou o refugiado sírio Hikmet Saban, que fugiu para a Turquia. "Helicópteros e tanques bombardeiam continuamente a cidade. Taftanaz foi incendiada por três dias até não sobrar nada." Ativistas publicaram um vídeo na internet que, segundo eles, mostra um helicóptero militar disparando um míssil contra o vilarejo e uma mesquita local sendo atingida por um bombardeio.

De acordo com Yassin, outra localidade da região, Killi, foi atacada ontem. "Todo o norte de Idlib tornou-se outra Baba Amr (bairro de Homs que concentrava rebeldes e foi devastado entre fevereiro e o início de março)", disse o estudante de direito e ativista Ahmed Sheikh.

Habitantes do norte sírio afirmaram ter escutado disparos de artilharia pesada ao longo de todo o limite com a Turquia. "Os sírios (leais a Assad) minaram as fronteiras, especialmente ao sul de Idlib, o que restringiu o fluxo de refugiados", disse um funcionário da chancelaria turca. Estima-se que pelo menos 2,5 mil pessoas fugiram da Síria apenas na quinta-feira.

Para Mohamed Abdallah, ativista de Idlib, "Assad está usando os dias garantidos a ele pela comunidade internacional para sufocar a movimentação de refugiados rumo à Turquia e a entrega de qualquer tipo de ajuda". Segundo o ex-secretário-geral da ONU e mediador da crise síria, Kofi Annan, Assad concordou em aplicar um cessar-fogo a partir de terça-feira. O ditador teria se comprometido a retirar tropas e a suspender o uso de armas pesadas até a conclusão da trégua. Ontem, 35 pessoas, entre rebeldes, civis e soldados, foram mortas, segundo os ativistas sírios. / AP e REUTERS

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