Muzaffar Salman/AP
Muzaffar Salman/AP

'Assad não deixará o poder sem uma ação militar internacional'

Grupo que atua como um dos braços políticos da revolta busca apoio para uma intervenção armada

Entrevista com

GUILHERME RUSSO, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2011 | 03h02

SÃO PAULO - O grupo opositor Conselho Nacional Sírio (CNS), que desde setembro busca reunir a oposição a Bashar Assad dentro e fora da Síria, está rodando o mundo em busca de apoio internacional para que uma intervenção militar externa seja organizada contra o regime.

 

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A informação é de Hassan Hachimi, responsável pelas relações exteriores do CNS nas Américas. Nesta semana, Hachimi esteve no Brasil pedindo apoio à causa. Em entrevista ao Estado, ele afirmou que os eventuais vetos de China e Rússia a uma resolução do Conselho de Segurança da ONU contra Damasco "não estão mais garantidos". De acordo com Hachimi, o número de vítimas da repressão aos protestos na Síria já passa de 5 mil. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Estado: A ONU aprovou uma condenação à Síria, mas sem poder coercitivo. Apenas o Conselho de Segurança poderia aprovar uma resolução do gênero, mas acredita-se que China e Rússia vetariam a proposta. Quais as impressões do CNS sobre a questão?

Hassan Hachimi: É possível que Rússia e China façam o que fizeram com a questão líbia e se abstenham da votação no Conselho de Segurança. Se isso não ocorrer, acho que a comunidade internacional formará uma coalizão que atuará sem aprovação da ONU.

Estado: É isso que o CNS tem pedido às nações que visita?

Hassan Hachimi: A questão da intervenção internacional na Síria é espinhosa. O que precisamos é proteger os civis. Temos protestos inteiramente pacíficos reprimidos com violência. A brutalidade que vemos na Síria supera qualquer descrição. Mais de 600 crianças já foram mortas. O número atual de prisões está em torno de 100 mil.

Estado: O sr. parece hesitar ao pedir uma ação militar internacional na Síria. Assad concordaria em deixar o poder pacificamente?

Hassan Hachimi: Ele não deixará o poder sem lutar e nós queremos parar com o massacre. É Assad, continuando com a matança, que chama a intervenção externa? Ou somos nós, exigindo que ele pare com os assassinatos, que pedimos isso? Temos de falar dos motivos e das razões. A resposta completa é: queremos proteger os civis e Assad não deixará o poder sem uma intervenção internacional.

Estado: O CNS tem ligação com o Exército Sírio Livre?

Hassan Hachimi: Sim, mas ainda não temos uma relação organizada.

Estado: São mesmo 5 mil os mortos?

Hassan Hachimi: Esses são os que sabemos os nomes. Temos a lista. O número de desaparecidos é de 7 mil.

Estado: Como o CNS interpreta os ultimatos da Liga Árabe para que a violência acabe?

Hassan Hachimi: Infelizmente, isso não significa nada para o regime, que acredita poder fazer o que quiser. Quando foram dados os ultimatos, a oposição ficou irritada, pois a Liga Árabe continua dando chances ao governo - acho que para poder dizer que eles não puderam evitar uma intervenção militar internacional.

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