Assad não tem de ficar no poder para acordo, diz Rússia

Vice-chanceler russo afirma que futuro de ditador deve ser decidido pelos sírios; para Hillary, transição é necessária

GENEBRA, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2012 | 03h00

O vice-chanceler da Rússia, Gennadi Gatilov, disse ontem que Moscou não considera a permanência do presidente Bashar Assad no governo sírio como condição para um plano de paz. "Nunca dissemos que Assad necessariamente tivesse de permanecer no poder no fim do processo político", disse. "Esse é um assunto para ser resolvido pelos sírios." A declaração é a mais explícita demonstração de que os russos podem abandonar o apoio a Damasco.

Na Geórgia, onde está em visita oficial, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, voltou a exortar Rússia e China a "contribuir para a solução da crise síria". "Acreditamos que depois do massacre de Hula está bem claro que a paz e a dignidade humana não serão possíveis na Síria sem uma mudança política", declarou. "Todos devemos intensificar nossos esforços para acelerar a transição política e essa deve ser a principal preocupação de nosso trabalho na comunidade internacional."

Brasil. Ontem, em declarações ao Estado, o diretor de operações do Escritório de Coordenação Humanitária da ONU, John Ging, confirmou que negocia uma contribuição do governo brasileiro para garantir o financiamento da ajuda humanitária para a Síria. "Temos negociado com o Brasil", disse Ging. "Trata-se de um de nosso principais focos. Eles têm se mostrado favoráveis a participar do esforço."

A ONU pede US$ 184 milhões para garantir assistência a 1 milhão de sírios pelos próximos seis meses. Além disso, quer outros US$ 82 milhões para atender os quase 80 mil refugiados que estão no Líbano, na Jordânia, na Turquia e no Iraque. Mas, por enquanto, a ONU obteve apenas 30% desse valor.

A esperança de Ging é a de que, com o sinal verde da Síria para que a ONU atue no país, governos se sentirão convencidos de que o dinheiro que doarão servirá para uma ação real. "Imagino que os brasileiros também estivessem esperando por isso", disse.

Ontem, o governo americano anunciou outros US$ 12,8 milhões para o esforço humanitário na Síria. Em 2012, o financiamento total prometido é de US$ 52 milhões. / J.C.

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