'Assad nunca cumpriu trégua proposta pela ONU'

Para jornalista dissidente sírio, histórico do regime em desrespeitar acordos deve prejudicar nova proposta de paz

Entrevista com

FERNANDA SIMAS, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2012 | 03h02

O mediador internacional para a Síria, Lakhdar Brahimi, tenta um novo acordo de cessar-fogo no país durante o feriado islâmico de Eid al-Adha. Em visita ao Brasil, o integrante do Comitê de Liberdade de Imprensa da Associação de Jornalistas da Síria, Massoud Akko, contestou a eficácia de uma nova trégua. "O primeiro ponto do Plano Annan nunca foi cumprido: parar de matar", diz. A seguir, trechos da entrevista ao Estado:

Como você vê a proposta de um cessar-fogo no feriado?

Eu gostaria de encerrar a guerra, não apenas nesse dia. Espero que funcione, salvaria centenas de vida, mas não é solução.

Brahimi continua o plano de Kofi Annan e até hoje o 1.° ponto não é cumprido pelo governo: parar de matar.

Como está a situação hoje?

Estamos no 20.° mês da revolução e Assad não parou de matar os sírios e bombardear cidades.

Na minha opinião, o Exército Sírio Livre não é tão forte e o regime continua poderoso e apoiado por Rússia, China, Hezbollah. Assad sabe que não haverá nenhuma ação e fica sentado vendo pessoas sendo mortas.

As sanções funcionaram?

No início. Deixaram Assad mais fraco, mas agora armas são enviadas, quase mensalmente, por Rússia, Iraque e Hezbollah. Até a Venezuela apoia Assad, com petróleo.

Qual a solução para o conflito?

Tenho certeza de que é o momento de uma intervenção internacional. Não somos contra soluções diplomáticas e pacíficas, mas não acreditamos que Assad acate. Tentamos cumprir o plano de Annan, mas Assad continua matando, então como é possível dialogar com quem mata sua família? A shabiha, as forças de Assad, também são sírios, mas eles precisam parar. Por que estão matando o povo?

Há denúncias de uso de bombas de fragmentação...

Tenho certeza que usam, o regime não se preocupa com ninguém. Matam crianças nos últimos dois anos, estupram mulheres. Acredito que usem, até mesmo, armas químicas.

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