Assad paga gangues para combater opositores na Síria, diz desertor

Ex-funcionário de Defesa revela crueldades do regime de Damasco em entrevista à CNN

estadão.com.br

06 de janeiro de 2012 | 10h47

CAIRO - O governo da Síria esconde dissidentes detidos em prisões subterrâneas e paga US$ 100 por dia a membros de grupos pró-regime para enfrentar opositores que protestam contra o presidente Bashar Assad, disse um ex-oficial de defesa do país que desertou ante a onda de violência que tomou conta da nação árabe há meses, segundo o canal americano CNN.

 

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Mahmoud al-Haj Hamad era um inspetor financeiro do Ministério da Defesa em Damasco até que deixou o país e foi para o Egito. Ele deu detalhes da repressão conduzida pelo governo. "Eu via prisioneiros algemados e vendados sendo levados para prisões subterrâneas", disse.

 

Al-Haj ainda afirma que vários veículos carregando gangues armadas entravam e saíam da sede do ministério em direção aos manifestantes. "O pior de tudo eram as vans da inteligência marcadas com o símbolo do Crescente Vermelho, que passavam entre os protestos como se fossem ambulâncias e começavam a atirar contra os opositores", completou.

 

O ex-funcionário afirma que não é o Exército sírio o principal responsável pela carnificina, mas sim o serviço de inteligência de Assad e as gangues recrutadas para enfrentar os manifestantes. "Assad não consegue mais controlar esses monstros. Chegamos à fase do genocídio, e isso não pode ser tolerado em hipótese alguma.

 

Na entrevista à CNN, Al-Haj disse que os mercenários recebiam US$ 100 por dia e para disparar contra os opositores. Os "salários", porém, fizeram com que o governo tivesse que cortar até 30% de outros ministérios para financiar as gangues.

 

O ex-oficial disse que apoiou a revolução desde o início e que até participou de marchas contra o regime, mas conforme os protestos cresceram, o governo impôs restrições aos seus funcionários. Férias e viagens tinham de ser autorizadas pela inteligência, o que o fez mentir para deixar a Síria em dezembro. "Viajei ao Egito sob a desculpa de que matricularia meu filho em uma universidade no Cairo. Quando minha família chegou, anunciei a defecção", concluiu.

 

A Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que mais de 5 mil pessoas morreram na repressão, enquanto o governo diz que "terroristas" mataram 2 mil membros das forças de segurança desde o início da revolução, em março de 2011. 

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