Assad pede a Obama que reabra embaixada na Síria

Em rara entrevista, líder sírio acena para Washington às vésperas da visita de Kerry a Damasco

Ian Black, The Guardian, O Estadao de S.Paulo

19 de fevereiro de 2009 | 00h00

A Síria espera que os EUA enviem um embaixador a Damasco em breve e concretizem a oferta de Barack Obama de empreender diálogo com países que o governo de George W. Bush manteve afastados, disse o presidente sírio, Bashar Assad. Numa rara entrevista, ele expôs a esperança de estabelecer um novo relacionamento com os EUA - no qual ele espera que Washington aja como "principal árbitro" no moribundo processo de paz do Oriente Médio. "Não existe substituto para os EUA", disse Assad.Referindo-se ao pedido de Obama para "afrouxar os punhos" dos países que mantinham más relações com Bush, Assad disse acreditar que o novo presidente dos EUA estivesse fazendo referência ao Irã. "Nunca cerramos nossos punhos", declarou."Seguimos conversando sobre a paz, mesmo durante a agressão israelense em Gaza." A decisão americana referente ao envio de um embaixador de volta a Damasco faz parte de uma reavaliação pedida por Obama no momento de sua posse. Os EUA parecem atraídos pela ideia de um envolvimento direto com a Síria, enxergando o potencial de uma reaproximação com Assad para melhorar o processo de negociação entre israelenses e palestinos e para o afrouxamento dos laços da Síria com o Irã. Ainda esta semana, Assad se reunirá com John Kerry, influente presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, ex-candidato presidencial e o americano mais graduado a visitar Damasco em vários anos. Kerry esteve defendendo o rápido retorno de um embaixador americano à Síria, depois que o último foi chamado de volta, após o assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafic Hariri. A Síria foi responsabilizada pelo crime, apesar das veementes negativas de Damasco. "O envio dessas delegações é importante. Esse grande número de congressistas a caminho da Síria é um gesto positivo. Isso mostra que esse governo quer dialogar com a Síria." Mas ele acrescentou: "Ainda estamos num período de gestos e sinais. No momento não há nada de concreto." O restabelecimento de relações exigiria da Síria o rompimento dos seus elos com o Hezbollah, no Líbano, e com o Hamas, em Gaza - grupos classificados por Washington como terroristas -, e um esforço maior para fechar sua fronteira para os combatentes estrangeiros a caminho do Iraque. Entretanto, Assad não deu sinais de estar pronto para limitar ou abrir mão do relacionamento da Síria com estes grupos - nem com o Irã, aliado estratégico do país desde 1979.

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