Assad perdeu a confiança da Europa e dos EUA

Quando assumiu o poder, no início de 2009, o presidente americano, Barack Obama, decidiu dar uma nova chance para Bashar Assad. Era uma estratégia também usada pelo francês Nicolas Sarkozy, que via o líder sírio como uma possibilidade de reforma e estabilidade na região, apesar de o apoio de Damasco a grupos hostis a Israel e de sua interferência no Líbano.

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2011 | 00h00

Aquela não foi a primeira vez que Assad recebeu uma chance. Ao assumir o poder, em 2000, houve uma expectativa por reformas que o sírio acabou não cumprindo. Depois do 11 de Setembro, seu regime colaborou com os EUA na guerra ao terror. Com a invasão americana ao Iraque, porém, a Síria se distanciou de Washington e, apesar de receber mais de 1 milhão de refugiados durante o conflito, Assad teria apoiado insurgentes iraquianos.

As relações do presidente sírio com George W. Bush, que já eram ruins, começaram a se deteriorar. Assad passou a ser colocado como o próximo líder a ser derrubado pelos americanos, depois de Saddam Hussein. O líder sírio acabou isolado e decidiu intensificar sua presença no Líbano, onde já mantinha cerca de 40 mil soldados e dava as cartas na política.

Ao prolongar o mandato do então presidente libanês, Emile Lahoud, Assad entrou em choque com o premiê Rafic Hariri, que renunciou ao cargo em meados de 2004, passou a comandar a oposição e fez lobby no Congresso dos EUA para a aprovação de duras sanções econômicas contra Damasco por seu envolvimento na política libanesa. Os americanos também aproveitaram a oportunidade para condenar Assad por suas ligações com o Hamas e o Hezbollah.

Em 2005, Hariri foi morto em um atentado inicialmente atribuído à Síria - hoje, membros do Hezbollah são os acusados - e as tropas sírias foram obrigadas a deixar o Líbano. O isolamento de Assad acentuou-se e ele buscou refúgio nas relações com o Irã.

O cenário mudou há três anos, quando o líder sírio se aproximou de Sarkozy. Pouco antes do início da revolta síria, Assad jantou, acompanhado de sua mulher Asma, com o presidente francês e Carla Bruni. John Kerry, que atualmente preside a Comissão de Relações Exteriores do Senado americano, também desenvolveu uma amizade com Assad.

Na avaliação de EUA, França e Arábia Saudita, era necessário quebrar as relações de Assad com o Irã para que a Síria contribuísse na estabilidade do Iraque e do Líbano. Por suas relações com a Turquia, os sírios também poderiam fazer a paz com os israelenses, facilitando um possível acordo com os palestinos.

No início da revolta síria, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, achava que Assad realizaria reformas. No entanto, a repressão que já matou mais de 1.300 sírios fez EUA, França e Turquia perderem as esperanças.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.