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Assad quer tomar toda Alepo antes da posse de Trump, diz autoridade síria

ONU alerta para fuga em massa da cidade de pessoas tentando escapar do conflito e alerta que as reservas de comida estão praticamente esgotadas

O Estado de S. Paulo

29 de novembro de 2016 | 18h13

BEIRUTE - A Síria e seus aliados pretendem expulsar os rebeldes de Alepo antes de Donald Trump assumir como presidente dos Estados Unidos, disse uma autoridade de alto escalão da aliança militar pró-Damasco no momento em que forças pró-governo obtiveram suas maiores vitórias na cidade em anos.

Os rebeldes enfrentam um dos momentos mais graves da guerra, já que as forças pró-governo expulsaram combatentes de mais de um terço do território que controlam na cidade nos últimos dias. Milhares de civis fugiram em busca de segurança.

"Os russo querem finalizar a operação antes de Trump assumir o poder", disse a fonte, repetindo um cronograma anterior que fontes pró-governo haviam dito ter sido elaborado para mitigar os riscos de qualquer mudança na política americana para a guerra síria. O Ministério da Defesa russo não respondeu de imediato sobre tal cronograma.

O funcionário do governo, que não quis ser identificado para poder falar livremente, indicou mesmo assim que a próxima fase da campanha pode ser mais difícil porque o Exército e seus aliados estão tentando capturar áreas mais densamente povoadas.

Os combatentes rebeldes lutaram bravamente pare impedir que as forças governamentais penetrassem ainda mais no enclave dominado pela oposição nesta terça-feira, confrontando milícias simpáticas ao presidente sírio, Bashar Assad, que tentavam tomar a área a partir do sudeste, disse uma autoridade insurgente.

O ataque ao leste de Alepo ameaça aniquilar o centro urbano mais importante na luta contra Assad, que se mantém firme na ofensiva há mais de um ano graças ao apoio militar russo e iraniano.

Capturar o leste rebelado de Alepo seria a maior vitória de Assad até o momento no conflito, que já matou centenas de milhares de pessoas desde que emergiu em resultado dos protestos contra seu governo quase seis anos atrás.

Enquanto Rússia e Irã vêm se mantendo resolutamente ao lado de Assad, os rebeldes dizem que seus apoiadores estrangeiros, incluindo os EUA, os deixaram entregues à própria sorte em seu enclave sitiado no leste de Alepo, maior cidade da Síria antes da guerra civil.

Forças de Damasco auxiliadas por milícias xiitas do Irã, do Líbano e do Iraque arremeteram contra a área dominada pelos insurgentes na semana passada. A autoridade pró-Assad disse que as linhas rebeldes cederam mais rápido do que o esperado.

Fuga. Aproximadamente, 16 mil civis que viviam em áreas do leste de Alepo, conquistadas pelo Exército sírio nos últimos dias, fugiram e buscam desesperadamente se refugiar em áreas mais seguras, denunciou nesta terça-feira o principal responsável da ONU para Assuntos Humanitários, Stephen O'Brien.

"Relatórios iniciais indicam que até 16 mil pessoas foram deslocadas, muitas em situações incertas e muito precárias. Se os combates continuarem e aumentarem nos próximos dias, seguramente haverá milhares mais que não terão mais opção, além de fugir. Estou muito preocupado com o destino dos civis como resultado de uma situação muito alarmante e apavorante na cidade de Alepo", indicou O'Brien em comunicado.

O'Brien lembrou que não há nenhum hospital em funcionamento na cidade e as reservas de comida estão praticamente esgotadas. "As partes em conflito na Síria demonstraram que estão dispostas a realizar qualquer ação para manter uma vantagem militar incluindo se isso significar assassinar, mutilar ou matar de fome os civis", disse ele.

O responsável humanitário afirmou que nos distritos em poder dos efetivos governamentais, a ONU e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) oferecem assistência aos civis que chegaram. Além dessas ações paliativas, O'Brien pediu a todas as partes em conflito que "restaurem a humanidade básica na Síria". / REUTERS e EFE 

 

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