Muzaffar Salman/AP
Muzaffar Salman/AP

Assad rompe silêncio, fala em reforma, mas renova ameaças

Opositores acusam ditador de tentar ''ganhar tempo'' com promessa de abertura e milhares voltam às ruas

, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2011 | 00h00

DAMASCO

Após quatro meses de repressão contra distúrbios na Síria, o presidente Bashar Assad voltou ontem a acusar "sabotadores" pelos protestos, mas - pela primeira vez - admitiu a possibilidade de alterar a Constituição e realizar reformas em seu regime. O discurso, proferido na Universidade de Damasco, rompeu dois meses de silêncio do ditador, mas foi incapaz de acalmar os ânimos de opositores. Milhares de sírios voltaram ontem às ruas em manifestações antigoverno.

Embora tenha acenado com a possibilidade de recuar, Assad não anunciou nenhuma medida concreta para reformar o governo - há 48 anos sob um regime de partido único, o Baath. Ontem, novos distúrbios teriam irrompido em Homs, Latakia, Deir Azour, Idleb e Hama, além de subúrbios de Damasco, segundo fontes locais. Jornalistas estrangeiros estão proibidos de entrar na Síria desde o início da onda de repressão. Estima-se que mais de 10 mil pessoas foram presas e cerca de 1.400 mortas desde meados de março.

Em uma fala ambígua, Assad voltou a prometer pulso firme contra "vândalos" e "germes que infectam" a Síria, mas reconheceu que houve "mártires dos dois lados" e lamentou o "sangue derramado de inocentes".

"Estamos hoje em um momento decisivo de nossa história. Desejamos vê-lo como um ponto de transição em relação a ontem, quando sangue inocente foi derramado, para um amanhã no qual retomaremos um cenário de serenidade, liberdade, integridade e solidariedade", disse Assad. "Vimos momentos dramáticos, pagamos um preço dramático."

Líderes da oposição síria acusaram o presidente de tentar ganhar tempo com a promessa de abertura. "Como responderemos a um convite para o diálogo se Bashar (Assad) está dizendo que nossa causa é parte de uma conspiração internacional e suas forças de segurança estão prendendo e atormentando centenas?", questionou Omar Idby, ativista sírio exilado no Líbano.

A Síria está sob intensa pressão internacional depois que a Turquia - um dos poucos aliados de Damasco - exigiu o fim da violência do regime contra opositores.

Grã-Bretanha e França tentam aprovar no Conselho de Segurança da ONU uma resolução criticando as violações do regime sírio, enquanto os EUA já adotam sanções unilaterais contra o governo de Assad.

Fontes do governo americano disseram à CNN, em condição de anonimato, que há evidências de crescente envolvimento iraniano na repressão de Assad a opositores. Segundo reportagem da TV americana, integrantes da Guarda Revolucionária do Irã estariam fornecendo ao regime sírio equipamentos e informação. / LATIMES

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