Assad tenta modernizar a economia

Nos últimos anos, o governo de Bashar Assad tem tentado promover uma abertura econômica na Síria e deixar para trás décadas de estatismo. Abdullah Dardari, vice-primeiro-ministro para assuntos econômicos, é um dos principais aliados do presidente sírio e representa esse esforço modernizador.

, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2010 | 00h00

Formado em economia pela Universidade do Sul da Califórnia, Dardari diz que somente a economia de mercado é capaz de ajustar-se às mudanças. "Acredito que a Síria está preparada para esse desafio", afirmou ele em uma entrevista recente.

De fato, a economia da Síria melhorou com o processo de abertura, mas o país ainda precisa avançar muito, principalmente no que diz respeito à desburocratização, à infraestrutura e à capacitação de mão de obra.

Sem grandes riquezas naturais, uma das apostas do governo sírio é o turismo. Mas apesar de muitos atrativos, como a cidade velha de Damasco e as espetaculares ruínas de Palmira, a maior parte da rede hoteleira está em péssimo estado e a maioria dos restaurantes nem sequer trabalha com cartões de crédito.

Abertura. A sociedade síria difere da de outros países árabes. A população é bem menos conservadora do que a do Golfo Pérsico. Bebidas alcoólicas são liberadas. Mulheres possuem cargos importantes no governo e trabalham normalmente.

No entanto, especialmente entre as muçulmanas, o uso do véu tem se intensificado nos últimos anos, se comparado com a geração anterior - um fenômeno parecido com o que ocorre no Egito. Ao mesmo tempo, os sírios não desfrutam da liberdade dos vizinhos libaneses.

Mas, ao contrário do que ocorre em Beirute, onde há uma obsessão pela religião, em Damasco é falta de educação abordar o assunto.

Cristãos, muçulmanos sunitas e alauítas evitam falar sobre suas origens, sempre preferindo frisar que são "árabes".

Uma das explicações para esse fenômeno é o fato de Bashar ser alauíta. O alauismo é uma variação do xiismo, uma minoria em um país sunita.

Sem poder usar o trunfo da religião para governar, o nacionalismo árabe tem sido, de acordo com especialistas, a melhor maneira de legitimar o poder da família Assad.

No campo político, Bashar é criticado pela falta de abertura. Seu partido, o Baath, controla o Parlamento. A oposição, praticamente não existe. Questionado pelo Estado sobre a falta de liberdade, ele respondeu que está abrindo o país o mais rápido possível sem que haja "efeitos colaterais".

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