Assad volta a prometer reformas e diz não ter medo dos opositores

O líder sírio falou ontem à TV oficial síria e ameaçou uma retaliação ''grave'' a qualquer ação militar de fora contra o regime

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Prometendo eleições parlamentares para fevereiro de 2012, o líder sírio Bashar Assad atacou ontem em discurso os Estados Unidos e seus aliados europeus por pedirem na semana passada que ele deixe o poder em Damasco. Assad ainda ameaçou retaliação caso algum país tente uma ação militar contra seu regime.

As declarações foram dadas em uma entrevista concedida ontem para dois jornalistas da rede de TV estatal da Síria. Assad também afirmou não ver problemas nas sanções econômicas impostas por americanos e países da União Europeia.

Segundo Assad, "as ameaças do Ocidente não significam nada para nós". "Veja a história recente deste país (EUA) no Iraque, Afeganistão e Líbia, onde eles mataram milhões. Também apoiam Israel em seus crimes contra os palestinos", disse. O líder acrescentou que "qualquer ação militar contra a Síria terá graves consequências".

Perguntado sobre os levantes da oposição, nos quais mais de 2.000 pessoas foram mortas pelo regime, segundo a ONU, Assad afirmou que seu governo "pode lidar com a situação", apesar de a revolta, como ele próprio admite, terem ficado maiores nas últimas semanas"."Não tenho medo", acrescentou. O líder sírio divulgou um calendário prevendo a formação de partidos ao longo dos próximos 45 dias para a realização de eleições municipais em janeiro e parlamentares, em fevereiro.

Um porta-voz do Departamento de Estado americano declarou que as afirmações de Assad "não podem ser levadas a sério". Segundo Yasser Tabara, jurista sírio-americano e uma das principais figuras da oposição, "faz meses ou anos que Assad promete reformas e nenhum passo foi dado até agora".

Hoje, a Comissão de Direitos Humanos da ONU se reúne em Genebra para discutir a questão. Uma missão da entidade está no país e visitará as cidades de Hama, Homs e Latakia, principais alvos da repressão. No Conselho de Segurança, em Nova York, nações da Europa e os EUA se esforçam para aprovar uma resolução contra o regime sírio.

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