Assange aceita ir à Suécia se tiver garantias, diz Correa

Segundo presidente, compromisso de não extraditar fundador do WikiLeaks aos EUA poderia encerrar impasse

QUITO, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2012 | 03h06

O presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou ontem que o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, está disposto a ir à Suécia responder às acusações de abuso sexual, mas o governo de Quito exigirá garantias de que o australiano não será extraditado a um terceiro país, como os Estados Unidos.

Correa esclareceu que o Equador não pretende interferir nas decisões da Justiça sueca e disse que o asilo a Assange jamais teria sido concedido se o australiano tivesse a intenção de fugir do processo na Suécia.

"Assange sempre disse: 'quero responder, que me interroguem na Embaixada do Equador em Londres ou em Estocolmo e eu darei a minha versão sobre os fatos'", disse Correa a jornalistas em Quito. "Mas com a garantia de que ele (Assange) não será extraditado a um terceiro país", completou o presidente.

O fundador do WikiLeaks está refugiado mais de dois meses na Embaixada do Equador em Londres e, na semana passada, Quito lhe concedeu asilo diplomático. A polícia britânica cerca a missão equatoriana e garante que, se Assange colocar os pés na rua, será preso e extraditado para a Suécia.

O WikiLeaks, porém, afirma que o processo por abuso sexual na Suécia é apenas parte da perseguição a Assange. A intenção real de governos europeus e de Washington seria enviá-lo aos EUA, onde pode vir a ser julgado por espionagem.

Em Estocolmo, o australiano é acusado de ter feito sexo sem o consentimento explícito das parceiras em duas ocasiões diferentes. A Suécia tem uma das leis mais duras contra crimes sexuais e, no caso mais grave, Assange é acusado de "estupro menor": sexo contra a vontade da parceira, mas sem ameaça física ou verbal do homem.

A acusação foi apresentada à Justiça sueca menos de um mês depois de o WikiLeaks revelar ao mundo centenas de milhares de telegramas secretos da diplomacia americana.

Ameaças. Correa voltou a falar ontem sobre a carta que o governo britânico enviou à missão equatoriana em Londres alertando para a possibilidade de revogar o status diplomático do prédio para, em seguida, invadir o local e prender Assange.

O presidente disse que o diálogo está sendo mantido em níveis mais baixos da hierarquia e o impasse pode se arrastar por tempo indeterminado se a Grã-Bretanha não conceder um salvo-conduto. "Depois de tamanha ameaça, tamanha grosseria, os diálogos baixaram muitíssimo de nível. Há contatos, mas de nível médio", comentou Correa.

O Equador, no entanto, continua aberto a negociações e a expectativa, segundo Correa, é a de que o diálogo com Londres seja plenamente retomado em breve. Quito está ainda estudando se há recursos legais para obrigar o governo britânico a conceder um salvo-conduto. / AP

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