Assange acusa EUA e bancos de ''perseguição''

Segundo o fundador do WikiLeaks, vários órgãos governamentais americanos estão envolvidos em apuração 'secreta e agressiva'

EFE, AP e AFP, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2010 | 00h00

O fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, declarou ontem que é vítima de uma "investigação ilegal" nos EUA. "É algo que podemos ver na maneira como determinadas pessoas que supostamente colaboram conosco foram retidas na alfândega dos EUA e tiveram seus computadores confiscados", disse ontem, diante da mansão de Suffolk, na Grã- Bretanha, onde se mantém em liberdade condicional concedida pela Justiça britânica.

Segundo o australiano, vários órgãos do governo dos EUA estão "ocupados com o que parece ser uma investigação secreta, aparentemente ilegal". "Eu diria que há uma apuração agressiva", afirmou, acrescentando que na investigação algumas pessoas já perderam "muita credibilidade" e outras têm interesses de fazer carreira com o caso.

Segundo Assange, o WikiLeaks vem sofrendo ciberataques, o que vem atrapalhando o trabalho de divulgação de informações. De acordo com ele, os hackers trabalham principalmente para bancos de Dubai, Suíça, Grã-Bretanha e EUA. Não para governos. Pedindo ajuda jurídica e econômica, ele afirmou que "mais de 85%" dos recursos do site são destinado a responder a ataques "técnicos e políticos". "Somos uma grande organização. O pessoal é relativamente pequeno, mas é forte e está pronto para suportar ataques", disse, acrescentando que o site funcionou normalmente durante sua prisão.

Depois de brincar sobre a neve e seu primeiro Martini seco "em muito tempo", Assange repetiu que tem informações não confirmadas sobre uma acusação formal contra ele nos EUA. Segundo o jornal The New York Times, o governo americano pretende processá-lo por conspiração e fraude, sob a alegação de que ele estimulou o soldado Bradley Manning a divulgar arquivos sobre a guerra no Iraque e Afeganistão e os telegramas diplomáticos. "Houve muitos pedidos de políticos importantes nos EUA, incluindo senadores eleitos, pela minha execução, pelo sequestro de minha equipe, pela execução do soldado Bradley Manning... Isso é um assunto muito sério", disse Assange.

Ele enfatizou que a política do WikiLeaks é a de não saber a procedência dos documentos que recebe. Em entrevista à TV ABC, ele declarou que nunca tinha ouvido o nome de Manning até que a imprensa começasse a mencioná-lo. Mais cedo, porém, Assange referiu-se a ele como "um jovem de alguma maneira envolvido" em suas atividades. "Podemos perceber que é a única pessoa, apenas uma de nossas fontes militares, que foi acusada."

O soldado era analista de informática e tinha acesso à trocas de informações entre os Departamentos de Estado e de Defesa americanos. Atualmente, está detido em uma base militar no Kuwait.

Autoridades da Austrália anunciaram ter concluído que Assange não violou as leis do país ao publicar documentos diplomáticos. A ONG Repórteres sem Fronteira pediu que o presidente americano, Barack Obama, detenha as investigações contra Assange.

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