Ben Stansall/AFP
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Assange diz não ter como pagar fiança

Tribunal britânico decide hoje se fundador do WikiLeaks aguardará em liberdade julgamento do pedido de extradição para a Suécia

, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2010 | 00h00

Um tribunal britânico decidirá hoje se liberta ou não o fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, sob pagamento de uma fiança de 200 mil libras (US$ 316 mil). Assange, que divulgou em seu site milhares de telegramas diplomáticos secretos dos EUA, é acusado de crimes sexuais contra duas mulheres na Suécia. Ele nega as acusações e diz que elas têm motivação política.

Um advogado de Assange revelou ontem que os apoiadores do ativista australiano arrecadaram cerca de metade da fiança estipulada por um juiz britânico para que ele aguarde em liberdade o processo que pode levar à sua extradição para a Suécia.

O advogado Mark Stephens disse que pessoas comuns pediram para contribuir com o pagamento da fiança. "Temos de aparecer (na audiência judicial) com 200 mil libras e isso é difícil de conseguir", disse Stephens à BBC News. "Estou recebendo ofertas do público geral, que está vindo e dizendo que gostaria mesmo de contribuir com isso (fiança) e Assange não deveria estar na prisão", disse Stephens.

Personalidades como o jornalista australiano John Pilger e o escritor britânico Hanif Kureishi já manifestaram apoio a Assange.

"Por que as autoridades suecas estão tão determinadas em fazer com que Assange passe o Natal na cadeia? Será que elas têm os genes de Scrooge?", disse, referindo-se ao personagem mesquinho criado por Charles Dickens em Um Conto de Natal.

Assange teve a fiança concedida por um tribunal britânico na terça-feira, mas os promotores que representam a Suécia recorreram e ele permanece numa prisão de Londres.

A condição da Justiça para soltar Assange é que ele se instale na mansão rural de um simpatizante na Grã-Bretanha, se apresente diariamente à polícia e use um localizador eletrônico.

Além da fiança, a corte também exigiu US$ 40 mil em garantias, a serem pagos por fiadores para o caso de ele desaparecer. Gemma Lindfield, que representa o governo sueco no caso, disse na audiência que Assange não deveria ser solto, pois "nenhuma condição que a corte impuser poderia impedir sua fuga".

O site do Ministério Público da Suécia, que esteve por trás da prisão de Assange em Londres, sofreu novo ataque durante a madrugada de ontem e ficou fora do ar por cerca de 12 horas, disse a porta-voz Karin Rosander.

O site já havia sido atacado na semana passada, assim como as páginas de organizações como Visa e MasterCard, que haviam bloqueado o envio de dinheiro ao WikiLeaks.

O caso será decidido às 11h30 (9h30 no horário de Brasília) na Alta Corte, no centro de Londres, informou um funcionário do tribunal. Assange e seus advogados disseram temer que promotores dos EUA possam estar se preparando para indiciá-lo por espionagem por causa da publicação dos documentos secretos pelo WikiLeaks. / REUTERS e AP

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