Assange é libertado em Londres

Fundador do WikiLeaks terá de usar pulseira de identificação e se apresentar diariamente à polícia

estadão.com.br

16 de dezembro de 2010 | 16h10

Atualizado às 17h53

 

Assange discursa após deixar a prisão ao lado de sua equipe de advogados. 

 

LONDRES - O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, foi libertado nesta quinta-feira, 16, pela Justiça britânica depois de ser negado um recurso da promotoria sueca contra sua liberdade condicional.

 

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O australiano de 39 anos foi preso no último dia 7 após a justiça da Suécia emitir um pedido de prisão internacional por meio da Interpol. Assange é acusado de manter relações sexuais sem preservativos com duas mulheres suecas, à revelia delas.

 

"É fantástico respirar o ar fresco de Londres mais uma vez", disse o australiano após deixar a custódia em Londres. "Seguirei trabalhando e vou seguir alegando inocência", concluiu Assange. Após o breve pronunciamento, ele virou as costas e deixou o local. Uma nova audiência para Assange está marcada para o dia 11 de janeiro.

 

Na terça-feira, a Justiça estipulou a fiança de 200 mil libras (R$ 533 mil) para o australiano, mas os promotores suecos apresentaram recurso contra a decisão, alegando que ele poderia fugir durante o período de liberdade condicional. Ele terá de entregar seu passaporte, usar uma pulseira de identificação e se apresentar diariamente à polícia.

 

Os promotores suecos argumentaram que Assange poderia fugir em seu período de liberdade condicional. O juiz que cuida do caso, porém, levou em consideração o fato de seus advogados estarem em constante contato com a Polícia Metropolitana de Londres sobre as acusações e disse que "essa não é a conduta de alguém que quer fugir da justiça".

 

A fiança ainda não foi paga. Um dos advogados de Assange, Mark Stephens, disse anteriormente acreditar que o dinheiro pode ser conseguido ainda nesta quinta-feira. O diretor de documentários americano Michael Moore, o cineasta britânico Ken Loach e a socialite Bianca Jagger estão entre os que contribuíram para o pagamento.

 

Assange vai para uma mansão quase 200 quilômetros a nordeste de Londres pertencente a um colaborador do WikiLeaks. Representantes do site afirmaram que ele continuará coordenando os vazamentos do local, embora esteja confinado a "uma prisão domiciliar virtual".

 

Assange é considerado o responsável pelo vazamento dos mais de 250 mil documentos americanos, que começou no dia 28 de novembro e causou constrangimento às autoridades americanas por ter revelado segredos da política externa dos EUA. Washington classificou a ação como irresponsável e como uma ameaça à segurança nacional.

 

Altos funcionários do Departamento de Justiça dos EUA estão buscando provas para determinar se Assange encorajou ou ajudou o soldado Bradley Manning a extrair do sistema de computadores do governo material militar classificado e arquivos do Departamento de Estado. Com isso, as autoridades americanas pretendem processar o fundador do WikiLeaks por conspiração. 

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