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Assange é visto como 'frio' e tem cota para receber visitas

Diplomatas equatorianos contam à BBC Mundo como o fundador do WikiLeaks está vivendo na embaixada equatoriana em Londres.

Juan Paullier, BBC

24 de agosto de 2012 | 05h58

LONDRES - Após mais de dois meses de "refúgio" na embaixada equatoriana em Londres, o australiano Julian Assange passou aos diplomatas do local a imagem de "frio" e "discreto". Ele ocupa uma das oito salas do edifício e pode receber uma cota máxima de convidados por dia.

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A BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC, entrou na representação diplomática e conversou com os funcionários sobre a vida levada por Assange e a possibilidade de invasão do edifício pela polícia britânica.

Embora tenha recebido asilo do governo do Equador, a Grã-Bretanha já afirmou que pretende prendê-lo e entregá-lo ao governo da Suécia, com o objetivo de cumprir um acordo de extradição.

O governo britânico chegou a cogitar uma invasão do edifício, baseando-se em uma lei interna que retiraria o status de embaixada do local.

O prédio fica atrás da popular loja Harrods, no bairro de Knightsbridge, e possui oito salas. Uma delas foi transformada em escritório e dormitório para Assange.

Os oito funcionários da representação tiveram que se acostumar com a situação.

"A interação é a necessária. Nos reunimos até duas ou três vezes por dia. Tratamos para que ele tenha seu espaço. Ele costuma sair (de seu 'quarto') na parte da tarde", afirmou um dos diplomatas.

Seu estado de ânimo, afirmaram os funcionários, permaneceu sem mudanças desde que ele chegou no dia 19 de junho. Os diplomatas que conversaram com ele se disseram "surpreendidos" por sua forma "fria" de ser.

"Ele é muito cuidadoso sobre o que diz, é discreto", afirmaram.

Para a segurança dele e dos que trabalham lá, a embaixada contratou dois agentes de segurança privada, que fazem turnos para vigiar a porta de entrada. Eles se somam aos seis policiais de Londres que já guardam a entrada ininterruptamente.

Também por segurança, os diplomatas pedem a Assange que notifique a representação sobre quem vai visitá-lo. Eles impuseram ao australiano uma "cota máxima de visitas", mas não revelaram o número de pessoas que podem encontrá-lo diariamente.

Assim passam os dias de Assange, à espera de que o Reino Unido e o Equador solucionem sua disputa diplomática.

Invasão

Apesar do governo britânico não ter levado à cabo a invasão da embaixada, os diplomatas equatorianos disseram que não se esquecem da tensão dos dias mais críticos.

"Pensamos que (os policiais) iam entrar. Também pensamos em outras hipóteses como a de expulsarem todos os funcionários ou tocarem o alarme de incêndio para que o prédio fosse abandonado", disse.

Segundo ele, os diplomatas equatorianos acreditaram seriamente na advertência de invasão feita pela Grã-Bretanha no dia 15 de agosto.

Isso porque na época houve "um aumento impressionante do número de policiais, de quatro para 50, e com três caminhões. Foi exorbitante, esmagador", disse um funcionário.

De dentro do edifício teria sido possível ver policiais nas janelas de um dos três banheiros e também na escada de incêndio.

Os equatorianos também disseram que, apesar de especulações veiculadas na imprensa, nunca pensaram em tirar o australiano do local escondido em uma "mala diplomática".

Eles disseram ter recebido até cartas de pessoas dispostas a se passar por dublês de Assange para que ele pudesse escapar do local. Os diplomatas afirmaram ainda nem ter cogitado a hipótese, assim como a de tirar o fundador o WikiLeaks do prédio em um helicóptero.

A batalha legal

O governo equatoriano, ao conceder asilo diplomático a Assange no dia 16 de agosto, usou como argumento - entre outras razões - a falta de garantias de que ele não seria extraditado para países fora da União Europeia.

Assange e sua defesa sustentam que, na realidade, são os Estados Unidos que querem julgar o fundador do WikiLeaks por ter divulgado milhares de documentos secretos.

Os funcionários equatorianos que falaram com a BBC Mundo afirmaram que não realizam nenhuma valoração do processo judicial sueco: "Estas duas mulheres têm o direito de que juízes decidam sobre seu caso", disse um dos diplomatas, fazendo referência às duas mulheres que acusaram Assange em agosto de 2010.

Eles insistiram na necessidade de receber garantias de que a extradição a um terceiro país será evitada. "A solução são as garantias", disseram.

Porém, na embaixada, os diplomatas ainda esperam uma comunicação por meio dos canais oficiais de que a força não será usada contra a representação.

Eles disseram que "seria muito bom que o governo britânico diga formalmente que não ocorrerá uma invasão da embaixada".

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