Hannah McKay / Reuters
Hannah McKay / Reuters

Assange está disposto a cooperar com autoridades suecas caso reabram processo de estupro

Advogada afirmou que, apesar da ajuda, a prioridade do fundador do WikiLeaks continua sendo evitar a extradição para os Estados Unidos

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2019 | 16h00

LONDRES - A advogada de Julian Assange afirmou neste domingo, 14, que o fundador do WikiLeaks está disposto a cooperar com as autoridades suecas caso decidam reabrir o processo de estupro contra ele, mas que sua prioridade continua sendo evitar a extradição para os Estados Unidos.

"Estamos absolutamente felizes em responder a estas perguntas se e quando forem apresentadas", disse Jennifer Robinson à emissora Sky News. "A questão-chave no momento é (o pedido de) extradição dos EUA.”

Assange foi detido na quinta-feira na embaixada do Equador em Londres, onde havia obtido asilo há sete anos para escapar de uma ordem de detenção britânica por acusações de estupro e agressão sexual na Suécia, que ele sempre negou.

A denúncia por agressão sexual prescreveu em 2015. A Justiça da Suécia arquivou as acusações do segundo caso em maio 2017 por falta de condições para avançar na investigação. Mas com o anúncio de sua detenção, a advogada da denunciante pediu a reabertura do caso.

O australiano de 47 anos foi detido também em relação a um pedido de extradição dos EUA, onde a Justiça o acusa de ter ajudado a ex-analista de inteligência Chelsea Manning a obter uma senha de acesso a milhares de documentos sigilosos. Este pedido será analisado pela Justiça britânica no dia 2 de maio.

Se a Suécia solicitar sua extradição, "pediremos as mesmas garantias que já formulamos, que (Julian Assange) não seja enviado aos EUA", afirmou Jennifer. A advogada explicou que seu cliente buscou refúgio na embaixada do Equador diante da falta de tais garantias.

Mais de 70 parlamentares britânicos assinaram uma carta enviada ao Ministério do Interior na qual pedem prioridade a uma possível ordem de extradição sueca. "Julian nunca se preocupou em enfrentar a Justiça britânica ou a Justiça sueca", disse Jennifer. "Este caso é e sempre foi sobre sua preocupação de ser enviado para a injustiça americana", completou.

A advogada também chamou de "escandalosas" as acusações de Quito contra o comportamento de Assange dentro da embaixada, de que ele teria "manchado as paredes com seus excrementos".

Pai de Assange pede extradição do filho à Austrália

O pai de Assange, John Shipton, pediu ao governo da Austrália que solicite a extradição de seu filho. Ele o visitava todos os anos no Natal na embaixada do Equador em Londres.

"O DFAT (Departamento de Relações Exteriores) e o primeiro-ministro deveriam fazer algo", afirmou ele ao jornal australiano Sunday Herald Sun. "É possível resolver de maneira simples para que todos fiquem satisfeitos. Houve algumas conversas em uma reunião entre um senador e um funcionário do DFAT para extraditar Julian à Austrália."

O pai afirmou ainda que ficou chocado com o mau aspecto físico do filho no momento da detenção. "Eu vi a maneira como os policiais o arrastaram pela escada. Não tinha um bom aspecto. Tenho 74 anos e estou com um aspecto melhor que ele, que tem 47. Estou chocado", disse. "Durante meses e meses viveu como um prisioneiro de segurança máxima. Não podia ir ao banheiro, havia câmeras vigiando todos os seus movimentos", detalhou Shipton.

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, disse na sexta-feira que Assange não receberia um tratamento especial de seu governo. / AFP

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