Akira Suemori/AP
Akira Suemori/AP

Assange ganha liberdade condicional

Fundador do WikiLeaks, porém, deve permanecer detido por mais 48 horas até que a promotoria sueca apresente recurso contra a decisão da Justiça britânica; preso em Londres há uma semana, ele é acusado de supostos crimes sexuais na Suécia

, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2010 | 00h00

A Justiça britânica concedeu ontem a liberdade condicional sob fiança ao fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, preso em Londres há uma semana acusado de supostos crimes sexuais na Suécia. Assange, porém deve permanecer detido por mais 48 horas até que se examine um recurso apresentado pela promotoria sueca. Uma nova audiência sobre a possível extradição foi marcada para o dia 11.

A decisão da Justiça britânica determinou que Assange, cidadão australiano, poderia aguardar em liberdade até a próxima audiência. Mas seu passaporte foi confiscado, ele deverá ser monitorado eletronicamente - por meio de um rastreador -, permanecer no endereço fixo comprovado por seus advogados todos os dias sob toque de recolher e apresentar-se diariamente à polícia. Se o recurso apresentado pela procuradoria da Suécia for rechaçado, o fundador do WikiLeaks será libertado assim que seus advogados depositarem a fiança de US$ 310 mil (cerca de R$ 530 mil).

"Os suecos querem proporcionar a Assange mais problemas, mais despesas, mais dificuldades", disse o advogado do ativista, Mark Stephens. "A Promotoria sueca claramente não vai poupar recursos para manter Assange na cadeia. Este julgamento está se transformando em um show", completou.

Assange foi detido na semana passada a pedido da Suécia, onde é acusado de conduta sexual indevida.

Ele alega que as acusações têm motivação política, mas os procuradores suecos afirmam que a acusação não tem relação com a divulgação dos mais de 250 mil documentos secretos das embaixadas dos EUA no mundo todo. Enquanto isso, os EUA buscam um meio de indiciá-lo por espionagem.

Por meio da mãe dele, Christine Assange, o acusado criticou as operadoras de cartões de crédito Visa e Mastercard e a empresa de pagamentos na internet PayPal, que bloquearam as doações ao site portal desde a sua prisão. "Agora sabemos que Visa, Mastercard e PayPal são instrumentos da política externa americana. É algo que ignorávamos". As companhias negaram motivações políticas para o bloqueio do serviço ao WikiLeaks.

Contra hackers. Na semana passada, simpatizantes de Assange realizaram pela internet a Operation Payback (Operação Troco), tirando do ar sites de operadoras de cartão de crédito e do governo sueco. Mas o advogado de Assange sugeriu que seu cliente discorda desses ataques. "Quando eu disse a Julian sobre os ciberataques, ele disse: "Olhe, já fui alvo de ciberataques. Acredito na liberdade de expressão, não acredito em censura, e claro que os ciberataques são justamente isso"", afirmou Stephens ao canal Sky News.

Segundo o advogado, Assange fica isolado na cadeia "23 horas e meia por dia". "Ele não tem acesso a jornais, televisão ou outros dispositivos noticiosos; não recebe correspondência, está submetido às mais reprováveis formas de censura", afirmou. A defesa do australiano relatou ainda dificuldades para conseguir o dinheiro da fiança.

O WikiLeaks afirma que apenas 1.344 dos 251.287 telegramas diplomáticos americanos foram publicados nas últimas semanas. /NYT e AP

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