Assange nega conhecer analista do Exército dos EUA que foi preso

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, negou nesta sexta-feira conhecer o ex-analista de inteligência do Exército norte-americano acusado de ter fornecido ao site mensagens secretas da diplomacia de Washington que podem levar Assange a ser indiciado por espionagem nos Estados Unidos.

REUTERS

17 de dezembro de 2010 | 13h19

Em entrevista ao programa "Good Morning America", da emissora de TV ABC, o especialista em computação australiano disse que o sistema informatizado do WikiLeaks foi projetado para proteger o anonimato de fontes que passam para a organização documentos governamentais delicados, incluindo os telegramas diplomáticos dos EUA que vêm trazendo à tona avaliações francas e constrangedoras de líderes mundiais.

O especialista do Exército Bradley Manning, analista de inteligência de 23 anos, foi acusado este ano de obter o vídeo de um ataque de helicóptero de 2007 que matou uma dúzia de pessoas no Iraque, incluindo dois jornalistas da Reuters, e de ter obtido mais de 150 mil documentos do Departamento de Estado dos EUA.

Autoridades norte-americanas dizem que Manning vazou alguns dos telegramas que obteve, mas se negam a informar se são os mesmos telegramas divulgados pelo WikiLeaks.

O vídeo do ataque de helicóptero, gravado pela própria aeronave, foi divulgado pelo WikiLeaks em abril. Manning está detido na Base Naval de Quantico, na Virgínia.

Relatos da mídia norte-americana dizem que promotores dos EUA podem indiciar Assange por espionagem e buscar sua extradição para os EUA, se puderem demonstrar que ele ajudou Manning a colher os materiais classificados.

"Eu nunca tinha ouvido falar no nome Bradley Manning antes de ser divulgado pela imprensa", disse Assange à ABC, enquanto fazia uma ronda dos talk shows americanos transmitidos no horário do café da manhã.

"A tecnologia do WikiLeaks foi projetada desde o início para assegurar que nunca conheçamos os nomes ou as identidades de pessoas que nos repassam materiais. Em última análise, essa é a única maneira de garantir anonimato às fontes."

Assange, de 39 anos, deixou um tribunal de Londres na quinta-feira, depois de ser libertado sob pagamento de fiança de 200 mil libras (312.500 dólares), após passar nove dias na maior prisão de Londres. A Suécia quer extraditá-lo para interrogá-lo sobre alegadas agressões sexuais a duas voluntárias do WikiLeaks.

Mas Assange disse a jornalistas pouco depois de ser libertado que está mais preocupado com a possibilidade de os Estados Unidos tentarem extraditá-lo do que com a possibilidade de ser enviado para a Suécia.

Assange e seus advogados manifestaram o receio de que promotores dos EUA estejam se preparando para indiciá-lo por espionagem em conexão com a divulgação dos documentos pelo WikiLeaks.

"Algo está muito errado na situação e algo está errado nos Estados Unidos pelo fato de tal investigação ser lançada em segredo contra mim, e, concretamente, contra minha organização, e agora vemos acusações sérias serem feitas ao New York Times também", disse Assange em entrevista separada ao programa "Today", da NBC.

(Reportagem de David Morgan)

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.