Assange pode ser executado ou ir para Guantánamo, dizem advogados

Representantes dizem que extradição para os EUA será facilitada caso australiano vá para a Suécia

estadão.com.br

11 de janeiro de 2011 | 13h40

Assange, junto de seus advogados, dá entrevista após audiência em Londres.

 

LONDRES - Os advogados de Julian Assange, fundador do WikiLeaks, disseram que seu cliente corre "sério risco" de ser condenado à morte ou de se tornar um prisioneiro em Guantánamo caso seja extraditado para a Suécia, onde é acusado de delitos sexuais, segundo reportagem do jornal britânico The Guardian.

 

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Os representantes legais de Assange, apresentando um resumo de como defenderão o australiano no caso da extradição, argumentam que é provável que os EUA tentem sua extradição assim que ele for enviado à Suécia. Sob custódia dos americanos, Assange "correria sério risco de ser detido em Guantánamo ou algum outro lugar".

 

A prisão de Guantánamo é usada pelos EUA para abrigar presos considerados perigosos, como terroristas e fundamentalistas. Os defensores de Assange e o próprio fundador do WikiLeaks acreditam que os EUA planejem indiciá-lo por conspiração e espionagem. O vice-presidente americano, Joe Biden, chegou a chamá-lo de "ciberterrorista".

 

"Se Assange for levado aos EUA sem garantias de que não seria condenado à morte, há um grande risco de que essa seja sua pena. É de conhecimento de todos que figuras proeminentes, se não disseram diretamente, insinuaram que ele deveria ser executado", diz o documento dos advogados de Assange.

 

Assange está em liberdade condicional. Ele permaneceu preso por nove dias em Londres, mas foi libertado após pagar fiança de 200 mil libras (R$ 533 mil) e depois que um recurso da promotoria sueca contra sua libertação foi rejeitado.

 

Atualmente ele está hospedado em uma mansão a nordeste de Londres, propriedade de um colega. Ele havia sido detido pelos britânicos por conta de um mandado de prisão internacional expedido por Estocolmo.

 

O australiano compareceu à corte nesta terça para uma audiência, a primeira do ano sobre o caso de sua extradição, que será definida no início de fevereiro. Após a sessão, ele afirmou que "o trabalho do WikiLeaks continua".

 

Assange é acusado pela Justiça sueca de delitos sexuais contra duas mulheres. Elas o acusam de coerção ilegal, estupro e de tê-las molestado. Ele nega as acusações e diz que "há evidências bem sugestivas" de que as mulheres foram motivadas por vingança, por dinheiro e por pressão policial para dar queixa.

 

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Defensores do australiano alegam que as acusações têm motivação política, já que ele é considerado o responsável pelo vazamento dos mais de 250 mil documentos americanos, que começou no dia 28 de novembro e causou constrangimento às autoridades americanas por ter revelado segredos da política externa dos EUA.

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