Assange quer garantias da Suécia para deixar embaixada, diz advogado

Baltasar Garzón, defensor do criador do WikiLeaks, diz que seu cliente está grato ao povo do Equador, país que lhe concedeu asilo; Assange deve se pronunciar às 10h (Brasília) deste domingo.

BBC Brasil, BBC

19 de agosto de 2012 | 09h21

Baltasar Garzón, advogado de Julian Assange, disse neste domingo que o criador do site WikiLeaks está "disposto a responder pelas acusações" que enfrenta na Suécia, mas quer "garantias" de que não será extraditado.

Assange está abrigado na Embaixada do Equador em Londres desde junho, na tentativa de escapar de um pedido de extradição para a Suécia - onde enfrenta duas acusações de abuso sexual em 2010, as quais nega.

O criador do WikiLeaks alega que, da Suécia, pode ser extraditado aos EUA, onde é acusado de espionagem após revelar documentos diplomáticos do país.

"(Assange) quer garantias mínimas das autoridades suecas, que não foram outorgadas", afirmou Garzón, jurista espanhol famoso por ter, quando desempenhava o papel de juiz em seu país, ordenado a prisão do ex-líder chileno Augusto Pinochet.

Ele também afirmou que o criador do WikiLeaks está "com espírito combativo" e "agradecido" ao povo equatoriano.

Na última quinta-feira, o australiano de 41 anos teve seu pedido de asilo concedido pelo Equador - sob a alegação de que Assange pode ser vítima de perseguição política. Mas criou-se um impasse: a Grã-Bretanha não deu salvo-conduto para a saída de Assange rumo ao Equador. Assim, ele pode ser detido pela polícia britânica assim que pisar fora da embaixada equatoriana, antes de chegar ao aeroporto.

Protocolos internacionais estabelecem que territórios diplomáticos não podem ser violados pela polícia, a não ser que com a permissão do chefe da missão diplomática em questão.

Mas o repórter da BBC Andrew Plant, que está nos arredores da embaixada (na luxuosa região de Knightsbrige, no centro de Londres), explica que Assange sequer pode usar alguns dos corredores internos do prédio, que são compartilhados com a embaixada da Colômbia e não são território protegido pela jurisdição diplomática.

Por isso, o pronunciamento de Assange, que segundo um post na conta de Twitter do WikiLeaks ocorrerá neste domingo, às 14h (10h em Brasília), está cercado de expectativas. A rua da embaixada passou o dia repleta de policiais e simpatizantes do WikiLeaks levando cartazes de apoio ao australiano.

Impasse diplomático

Na quarta-feira o Ministério das Relações Exteriores britânico enviou um comunicado ao governo do Equador dizendo que a Grã-Bretanha estava "determinada" em cumprir sua obrigação de extraditar Assange à Suécia e que, de acordo com uma lei nacional, poderia "revogar a imunidade diplomática" da embaixada e prender o australiano no interior do prédio.

Mas analistas afirmam que, se a Grã-Bretanha de fato violar a integridade da embaixada equatoriana, pode ser alvo de duras críticas internas e da comunidade internacional.

O impasse será tema de uma reunião da OEA (Organização dos Estados Americanos), na próxima sexta-feira.

Em um pronunciamento na semana passada, o presidente do Equador, Rafael Correa, sugeriu que Assange poderia cooperar com as autoridades suecas caso haja um acordo para que ele não seja extraditado a um terceiro país.

A Suécia, por sua vez, criticou o Equador, alegando ser "inaceitável que o país queira impedir o andamento do processo judicial sueco". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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