Assange se diz vítima de vazamento de relatório da polícia da Suécia

Fundador do WikiLeaks critica 'The Guardian' por publicar documento 'de forma seletiva'

Associated Press

21 de dezembro de 2010 | 14h26

Assange diz que vazamento teve o objetivo de prejudicá-lo na Justiça.

 

LONDRES - O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, diz que é vítima de vazamentos de arquivos judiciais sobre suas acusações na Suécia, onde é procurado por delitos sexuais contra duas mulheres.

 

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Em entrevista ao jornal The Times, Assange expressou sua insatisfação com outro periódico, o The Guardian, que tem um acordo com seu site para publicar relatórios vazados de forma antecipada, como os documentos já publicados entre os 250 mil cabos diplomáticos dos EUA divulgados pelo WikiLeaks.

 

Assange disse que o Guardian "publicou de forma seletiva" parte do relatório da polícia sueca e argumentou que o documento foi entregue ao jornal um dia antes de ele ser ouvido na audiência que definiria se ele receberia liberdade condicional ou não.

 

No sábado, o Guardian publicou detalhes do relatório das autoridades suecas no qual duas mulheres acusam o australiano de crimes sexuais. Assange diz que o jornal publicou apenas partes do documento e questionou o momento de seu vazamento.

 

"O vazamento do relatório tem claramente o objetivo de prejudicar minha sentença. Foi programado para que o documento chegasse à mesa do juiz naquela manhã", disse Assange. "Alguém entre as autoridades queria me manter na prisão, e ofereceu o relatório para outros jornais", completou.

 

Na última quinta-feira, a Justiça britânica concedeu liberdade condicional a Assange mediante pagamendo de fiança - o valor foi fixado em 200 mil libras (US$ 310 mil). A próxima audiência de Assange está marcada para o dia 11 de janeiro, quando responderá pelo pedido de extradição da Suécia.

 

Assange é acusado por duas mulheres de coerção ilegal, estupro e de tê-las molestado. Ele nega as acusações e diz que "há evidências bem sugestivas" de que as mulheres foram motivadas por vingança, por dinheiro e por pressão policial para dar queixa.

 

Sobre o WikiLeaks, Assange disse que o site recebeu um "tremendo" apoio público, mesmo quando ele esteve preso. Ele disse ter recebido um bilhete de um guarda na prisão que dizia: "Tenho apenas dois heróis. Martin Luther King e você". "Isso representa 50% das pessoas", considerou Assange.

 

Assange é considerado o responsável pelo vazamento dos mais de 250 mil documentos americanos, que começou no dia 28 de novembro e causou constrangimento às autoridades americanas por ter revelado segredos da política externa dos EUA. Washington classificou a ação como irresponsável e como uma ameaça à segurança nacional.

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