Assange será preso se deixar embaixada, diz polícia

Enquanto britânicos e equatorianos negociam salvo-conduto, fundador do WikiLeaks continua preso no prédio da missão do Equador em Londres

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA , O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2012 | 03h04

A polícia britânica disse que Julian Assange, fundador do WikiLeaks, será preso assim que colocar os pés fora da Embaixada do Equador em Londres, mesmo que Quito lhe conceda asilo político. Há dois dias, Assange deixou sua prisão domiciliar e entrou na embaixada, violando determinação judicial. Agora, o grupo de simpatizantes que deu 240 mil libras como fiança corre o risco de perder o dinheiro.

Assange é processado na Suécia por abuso sexual. A Justiça britânica rejeitou todos seus argumentos e aceitou extraditá-lo para Estocolmo. Ele alega que o caso é uma conspiração para que ele seja extraditado para os EUA, onde é classificado de "terrorista high tech".

Há dois anos, Assange publicou em seu site milhares de telegramas secretos do governo americano, causando saia-justa para Washington. Seus advogados confirmaram ontem que seu pedido de asilo foi uma decisão tomada com base no "medo" da extradição para os EUA, onde poderia ser sentenciado à morte.

Ontem, Quito confirmou que continuava a analisar o pedido de asilo e poderia ter uma resposta em 24 horas. O presidente Rafael Correa disse que levará quanto tempo for necessário para resolver o caso. Enquanto isso, Assange permanecerá protegido na embaixada. Mesmo que ela obtenha asilo, o maior problema parece ser o salvo-conduto para que ele seja transferido para algum aeroporto, já que os britânicos se negam a aceitar sua saída.

Diplomatas equatorianos negociavam ontem a situação com Londres, enquanto a polícia deixava claro que já tinha agentes vigiando a embaixada. Na Suécia, os advogados que representam as vítimas do abuso sexual disseram em um comunicado que "é uma tragédia (para as mulheres) que ele não assuma suas responsabilidades".

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