Assassinado colombiano que ajudou a abrir processo de paz

Um jovem deputado que ajudou a negociar a primeira reunião do presidente Andrés Pastrana com Manuel Marulanda, líder da principal guerrilha da Colômbia, foi assassinado nesta madrugada em frente à sua residência em Bogotá, segundo a polícia. O congressista Jairo Enrique Rojas, de 37 anos, vice-presidente da Comissão de Paz da Câmara de Representantes, foi morto a tiros por pistoleiros quando tentava escapar dos bandidos."Ele chegou em sua caminhonete buzinando com insistência, eu desci para abrir a porta da garagem, mas ele entrou chocando-se contra ela. Eu vi a mão de uma pessoa disparando uma arma", disse à rádio Caracol o vigilante do edifício. Ele acrescentou que não conseguiu ver os pistoleiros nem como estes deixaram o local, pois teve de se esconder para não ser morto. Rojas havia dispensado o seu guarda-costas antes de reunir-se com alguns amigos para assistir, pela televisão, a uma partida de futebol.O presidente da Câmara dos Representantes, Guillermo Gaviria, lamentou o assassinato dizendo que Rojas "era um homem de bem que vinha trabalhando no processo de paz". Colegas do Congresso lembraram que o deputado trabalhou com o dirigente conservador Alvaro Levy Durán, hoje refugiado político na Costa Rica, para acertar, em julho de 1998, o encontro entre Pastrana - então presidente eleito - e Marulanda, líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), ponto de partida do atual processo de paz. Além do assassinato do congressista em Bogotá, 10 camponeses que trabalhavam em uma plantação de coca foram mortos em uma região distante do nordeste colombiano, aparentemente por guerrilheiros. Os "raspachines", como são chamados os colhedores das folhas de coca - a base de produção da cocaína - teriam sido mortos por guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN), que os acusaram de serem colaboradores das paramilitares Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC). Segundo a polícia, outras duas pessoas foram feridas durante o massacre.

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