Assassinato de jornalista põe governo russo sob pressão

O assassinato da jornalista russa Anna Politkoviskaya, no Sábado (7) desencadeou uma onda mundial de manifestações e protestos exigindo o esclarecimento do crime. As condenações mais veementes vieram da Organização para a Segurança e Cooperação da Europa (OSCE) e da União Européia, que exigiram do governo de Vladimir Putin - do qual a jornalista era uma das mais implacáveis críticas - uma investigação rápida e conclusiva.A Anistia Internacional disse que a Rússia perdeu ?uma corajosa e dedicada defensora dos direitos humanos?. Os EUA, por meio do porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, expressaram ?profundo choque? pelo assassinato. O chanceler francês, Philippe Douste-Blazy, afirmou que ?a brutalidade deste crime horrível comove a todos os defensores da liberdade de expressão?.O jornal russo Novaya Gazeta, onde trabalhava Anna Politkovskaya, ofereceu 25 milhões de rublos (US$ 1 milhão) por informações sobre a morte da jornalista. Colegas de Anna farão uma investigação independente sobre o assassinato.Anna Politkovskaya, de 48 anos, era uma das mais combativas críticas do governo russo. Segundo a jornalista, o país passava por um progressivo controle dos serviços de segurança e um enfraquecimento dos procedimentos democráticos. Anna era especialista em assuntos relacionados à Chechênia e ao Cáucaso Norte.Em 2004, quando viajava para cobrir a invasão da escola de Beslan por militantes chechenos, Anna sofreu uma intoxicação alimentar aguda. Suspeitou-se de tentativa de envenenamento. "A liberdade de expressão parece que vai acabar na Rússia", disse a jornalista.Politkovskaya havia denunciado, em várias ocasiões, ter recebido ameaças de morte por parte do serviço secreto russo, do Exército e de outras agências de segurança do Estado.O promotor de Moscou, Yuri Siomin, abriu investigação por "assassinato premeditado" e acrescentou que "a versão que os órgãos de segurança estão considerando é a de que ela foi assassinada pelo cumprimento do seu dever".A TV russa divulgou imagens tomadas pela câmera de segurança do edifício nas quais aparece o principal suspeito do crime: um homem alto e magro, vestindo roupas escuras e boné. Fontes policiais afirmam que o crime foi cometido por um matador profissional. Política externaManifestações pró-Geórgia também colocaram o governo de Vladimir Putin sob pressão na última semana. Na terça-feira (3), Putin apertou o cerco em torno da Geórgia ao anunciar a adoção de medidas para restringir os direitos dos georgianos que trabalham e vivem na Rússia. A independência do país, localizado na região do Cáucaso, havia sido tema de reportagens escritas por Anna Politkovskaya.A polícia russa promoveu operações de busca e apreensão contra restaurantes e estabelecimentos comerciais mantidos por georgianos. Foram solicitadas às escolas de Moscou listas com nomes de alunos de origem georgiana. A medida teria como objetivo encontrar imigrantes ilegais.Resultantes de uma crise diplomática entre os dois países, as medidas foram adotadas depois da captura de quatro militares russos acusados pela Geórgia de espionagem.

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