WDBJ7/Reprodução
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Assassinato de jornalistas nos EUA marca uma nova era no uso das redes sociais

O assassinato de dois jornalistas de uma emissora americana durante uma transmissão ao vivo na manhã de quarta-feira abriu um novo capítulo no uso das redes sociais, com o acusado de cometer o crime usando suas contas no Twitter e no Facebook para divulgar um vídeo filmado por ele mesmo do duplo assassinato.

Análise: AFP, O Estado de S. Paulo

27 de agosto de 2015 | 10h14

Pouco depois do ataque, imagens que aparentemente foram feitas pelo atirador apareceram em contas nas duas redes sociais em nome de Bryce Williams, pseudônimo utilizado por Vester Lee Flanagan quando ele fazia reportagens.

Além do vídeo, uma série de tuítes publicados pouco depois do ataque na mesma conta que fazia referêcia ao vídeo tentava explicar a motivação da ação, indicando supostos atritos com as duas vítimas no período em que os três trabalharam para a WDBJ7.

Para Roger Kay, analista na Endpoint Technologies Associates, "é possível dizer que estamos passando para um novo capítulo da era da internet". 

"Não é algo absolutamente novo porque organizações como o Estado Islâmico filmam e exibem já há algum tempo execuções. No entanto, essa é a primeira vez que um indivíduo independente - sem vínculo com uma organização criminosa ou terrorista - faz esse tipo de uso das redes sociais."

Para o jornalista David Folkenflik, National Public Radio (NPR), o caso todo tratou-se de um "assassinato pensado para as redes sociais, um assassinato do século 21, previsto de maneira que houvessem testemunhas".

As contas de Flanagan no Facebook e no Twitter foram rapidamente tiradas do ar por violarem os termos de uso de ambos os sites. No YouTube, cópias do vídeo também foram removidas por exibirem conteúdo "chocante ou repugnante".

Com a difusão das imagens de seu próprio ataque, o atirador da Virgínia ilustra também o lado sombrio do "jornalismo cidadão". Hoje, aplicativos como Meerkat ou Periscope, permitem a transmissão em tempo real a partir de qualquer smartphone, ampliando consideravelmente o leque de possibilidades dessa nova forma de transmitir conteúdo.

"No ataque de quarta-feira (a filmagem de Flanagan) não se trata de registrar algo que está acontecendo, mas sim de um agressor tentando gerar uma espécie de 'performance artística' para seu ato", opina Roger Kay.

O analista também questiona o papel dos meios de comunicação que difundem as imagens. "Qual é a diferença entre o sujeito que publica isso no Twitter e no Facebook e os grandes portais, por exemplo, que colocam as imagens em suas páginas iniciais? No dois casos, opera exatamente o mesmo tipo de sensacionalismo."

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