Assassinato de jovem judeu preocupa líderes religiosos na França

O seqüestro do jovem judeu parisiense Ilan Halimi, que em seguida foi torturado e morto, reacendeu preocupações sobre anti-semitismo na França, expondo como essa prática se disseminou nos subúrbios pobres onde muitos imigrantes africanos moram.Líderes da comunidade judaica sentiram-se encorajados pela queda no número de ataques a cemitérios, sinagogas e centros comunitários judeus, que teve seu auge em 2004. Contudo, no dia 13 de fevereiro, policiais encontraram, Ilan Halimi, de 23 anos, algemado, nu e com marcas de queimaduras perto de uma linha de trem na região sul de Essonne. O jovem morreu a caminho do hospital. Autoridades afirmam que a gangue que raptou Halimi estava a procura de dinheiro. Os criminosos teriam percebido que ele era judeu e concluído que por isso o jovem poderia valer um alto resgate.Alguns líderes judeus acreditam que o grupo não tinha motivações políticas, mas argumentam que o ódio em relação a comunidade judaica pode ter incentivado a violência contra o rapaz.O Ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, afirmou que a gangue já havia tentado seqüestrar seis outras pessoas desde dezembro de 2005. Quatro delas seriam judeus, disseram os investigadores."Este caso é muito sério pois é a primeira vez em 60 anos que alguém é morto por ser judeu", advertiu Roger Cukierman, chefe do Conselho Representativo Judeu. Segundo ele, a atmosfera de sentimentos anti-semitas pode influenciar as mentes mais fracas e o assassinato de Halimi foi um exemplo disso.O presidente Jacques Chirac expressou seu apoio a família de Halimi, no que ele classificou com um "ato bárbaro". Chirac, o primeiro-ministro Dominique de Villepin e outros políticos comparecerão a uma serimônia noite desta quinta-feira em uma sinagoga de Paris e grupos anti-racismo planejam manifestações em todo o país no próximo domingo.

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