Assassinato intensifica crise política no Líbano

O assassinato do ministro libanês Pierre Gemayel, um proeminente líder cristão-maronita e crítico da Síria, intensificou a longa crise política que vive o país desde a invasão israelense, em julho. Gemayel foi morto a tiros na terça-feira após o comboio em que viajava ter sido atingido por um homem armado em Sin El-Fil, região cristã situada ao sul da capital, Beirute.Nesta quarta-feira, os libaneses estão observando o primeiro dos três dias de luto oficial decretados após o assassinato.Muitos temem o retorno da guerra civil entre muçulmanos e cristãos, que deixou dezenas de milhares de mortos entre 1975 e 1989.O assassinato de Gemayel reacendeu o temor, pois aparenta ter sido realizado com o objetivo de inflamar as tensões sectárias em um momento no qual o Líbano já vivia uma profunda crise política. SíriaDe um lado estão os adversários da Síria, o país que dominou o Líbano por duas décadas até ser forçado a retirar suas tropas do país, no ano passado, por conta da reação ao assassinato do ex-premiê Rafik al-Hariri, também cristão e anti-Síria. O grupo anti-Síria inclui ainda o primeiro-ministro pró-Ocidente Fouad Siniora. Do outro lado estão os aliados da Síria, liderados pela milícia islâmica Hezbollah, cuja influência foi reforçada com a avaliação de que o grupo se saiu vitorioso no conflito com Israel.O grupo anti-Síria acusa o governo em Damasco de estar por trás do assassinato de Gemayel, o que os sírios negam. O ministro foi o sexto político anti-Síria assassinado nos últimos dois anos. Tribunal internacional A morte de Gemayel, membro de uma dinastia que inclui dois presidentes libaneses, um deles assassinado em 1982, ocorreu no mesmo dia em que o Conselho de Segurança da ONU aprovou planos para estabelecer um tribunal internacional para julgar os acusados de assassinar o ex-premiê Hariri, em fevereiro de 2005.Um relatório preliminar de uma investigação conduzida pela ONU concluiu que membros dos governos sírio e libanês estariam envolvidos no assassinato de Hariri.A Síria nega também responsabilidade pelo crime de 2005. RenúnciaGemayel estava entre os membros do gabinete libanês que haviam aprovado na semana passada os planos da ONU para o tribunal internacional. Seis ministros pró-Síria, entre eles dois membros do Hezbollah, renunciaram antes da votação, aumentando a tensão política no país.Líderes mundiais condenaram o assassinato de Gemayel, e o Conselho de Segurança da ONU criticou as tentativas de desestabilizar o país.Falando a simpatizantes políticos que se concentraram em frente ao hospital para onde Gemayel foi levado após ser alvejado por tiros, seu pai, o ex-presidente Amin Gemayel, chamou seu filho de ?mártir?, mas pediu calma na reação à sua morte. ?Não queremos reações nem vinganças?, disse. ManifestaçõesO governo deslocou tropas do Exército para as ruas de Beirute para evitar distúrbios. Pneus foram queimados no bairro cristão de Ashrafiyeh.Manifestantes anti-Síria também fizeram uma passeata e bloquearam ruas na cidade cristã de Zahle, no leste do Líbano.O primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, disse que o assassinato não aterrorizará o Líbano. ?Não deixaremos os assassinos criminosos controlarem nosso destino?, disse.O Hezbollah condenou o crime e disse que ele é uma tentativa de desestabilizar o país. O grupo pediu uma investigação sobre o assassinato.O governo do Irã também condenou o assassinato e disse que ele foi um ataque proferido por ?inimigos do Líbano?.

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