Assassinato pode indicar divisão no poder sírio, diz jornal

O jornal britânico The Independent afirma em sua edição desta quarta-feira que a Síria seria o suspeito mais óbvio de estar por trás do assassinato do ministro libanês Pierre Gemayel, mas alerta para a possibilidade da existência de "divisões no alto escalão" do país. "A mão da Síria é facilmente detectável na morte de Pierre Gemayel", diz o editorial do The Independent. "Mas precisamente a mão de quem?", pergunta o jornal. O ministro da Indústria libanês Pierre Gemayel, assassinado nesta terça-feira, era um proeminente líder cristão-maronita e crítico da Síria. "O governo libanês havia acabado de aprovar o plano da ONU de um tribunal para julgar os suspeitos do assassinato do ex-premiê Rafik Hariri, em 2005. Os responsáveis pela morte de Gemayel muito provavelmente compartilham das mesmas lealdades (dos assassinos de Hariri)." O jornal diz que o governo sírio rapidamente condenou o assassinato de Gemayel, mas que "há fortes suspeitas de que existam divisões no alto escalão na Síria comparáveis às do Líbano". Suspeitos Na mesma linha, o jornal israelense Haaretz também fala em possíveis divisões na cúpula do poder sírio. Segundo o jornal, "uma das organizações de inteligência sírias pode estar por trás do assassinato, como uma forma de vingança contra os que considera responsáveis pelo golpe que sofreria em um tribunal internacional". "Se isso for verdade, coloca o presidente sírio Bashar Assad em uma posição constrangedora, com elementos de seu regime agindo pelas suas costas." O jornal diz que "a lógica política e diplomática dificulta enxergar o governo sírio por trás do assassinato", já que no dia do crime, "a Síria conseguiu um de seus mais importantes feitos diplomáticos desde a derrota no Líbano em abril de 2005: uma retomada completa das relações diplomáticas com o Iraque". "A Síria também está a caminho de conseguir um carimbo de aprovação semi-oficial de Washington como uma entidade capaz de acalmar as tensões no Iraque." Além disso, segundo o Haaretz, a Síria poderia estar perto de um "importante sucesso político no Líbano, a queda do governo de Fuad Siniora, o que significaria que os sírios poderiam aumentar o poder de seus aliados na administração libanesa". Nesse cenário, "a última coisa de que Damasco precisaria seria uma nova acusação de um assassinato político no Líbano". Golpe O jornal francês Le Monde traz entrevista com o diretor da publicação especializada em Oriente Médio Cahiers de l´Orient, que afirma que ?os que executaram o assassinato do ministro libanês Pierre Gemayel talvez sejam libaneses, mas os mandantes são sírios". Antoine Sfeir diz que ?a construção de um Estado libanês forte e independente é o que de pior pode acontecer à Síria, que no momento pode agir no Líbano como se ainda estivesse dentro do país". O jornal diz também que "pode-se esperar um novo 14 de março de 2005", o ponto culminante das manifestações anti-Síria ocorridas depois do assassinato do ex-premiê Rafik Hariri. Segundo Sfeir, o sinal dado pela Síria é de que o país "não aceitará a construção de um tribunal para julgar os assassinos de Rafik Hariri e não quer que seus aliados no Líbano sejam derrubados". Exército Já o jornal pan-árabe Al-Sarq al-Awsat, baseado em Londres, defende que "o Exército deveria entrar no jogo e trazer uma solução para acabar com o conflito" entre as forças antagônicas no Líbano. Segundo o jornal, isso seria um "golpe militar odioso, mas compulsório". "Dessa forma, os jogadores políticos iriam ficar longe de conversas desnecessárias e indesejadas, e as pistolas dos assassinos não iriam alvejar os outros alvos da lista, que dizem ser longa", diz o jornal.

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