Assassino de Rabin diz que foi inspirado por militares

Ele disse que matou o premiê porque militares disseram que acordo traria desgraça ao Estado de Israel

AE-AP, Agencia Estado

31 de outubro de 2008 | 20h43

O assassino de Yitzhak Rabin, em sua primeira entrevista desde 1995, quando matou o então premiê de Israel, disse que ele cometeu o crime porque generais do Exército de Israel, ''falcões'' do regime, lhe disseram que a estratégia de Rabin para os palestinos, de dar terras em troca de paz, trazia a desgraça ao Estado de Israel. Amir disse ao canal 10 de televisão de Israel que ele foi levado a agir a partir de comentários feitos por Ariel Sharon, Rehavam Zeevi e Rafael Eitan. Na época do assassinato, todos os três eram políticos de direita, com longas carreiras militares de destaque em Israel.Yigal Amir matou a tiros Rabin no final de uma cerimônia em Tel-Aviv, em 4 de novembro de 1995. Amir era contrário ao processo de paz, assinado em 1993 em Oslo por Rabin e pelo então líder palestino Yasser Arafat. O processo de Oslo previa a devolução aos palestinos de terras conquistadas por Israel em guerras contra os árabes.Questionado sobre quem teve impacto na formação do seu intento criminoso de matar Rabin, Amir disse: "Sharon, Raful, Gandhi, todas as pessoas que entendiam os militares e disseram que aquele acordo traria a desgraça." Ele referiu-se a Eitan e Zeevi por seus respectivos apelidos, Raful e Gandhi.Sharon, no futuro, virou primeiro-ministro de Israel e em 2005 acabou com a ocupação da Faixa de Gaza, território palestinos que Israel ocupou por 38 anos. Pouco depois, Sharon sofreu um derrame e até hoje está em coma em um hospital. Zeevi foi assassinado em 2001 por um militante palestino, enquanto Eitan morreu afogado em 2004 no Mar Mediterrâneo. Ele supervisionava uma obra no porto de Ashdod, quando uma onda gigante e imprevista puxou-o para o mar. O corpo sem vida de Eitan foi encontrado uma hora depois, perto da marina.A entrevista inteira de Amir foi exibida hoje pela emissora israelense. Após o assassinato de Rabin, que torpedeou os acordo de Oslo de 1993, muitos em Israel culparam os políticos da linha-dura, bem como o rabinato conservador, por terem criado uma atmosfera política carregada, que teria encorajado o assassino. Mas Amir disse ter dado pouca atenção aos rabinos. "Você não precisa de um rabino para isso. Isso não é assunto de um rabino", disse. Amir cumpre pena de prisão perpétua. Ele disse que percebeu que seria "fácil" matar o então primeiro-ministro, quando ele estava participando da festa de casamento de um amigo, que se casava com a filha de um rabino destacado. Amir foi ao local armado com uma pistola, e Rabin também estava lá, protegido apenas por um guarda-costas. Já condenado e preso, Amir casou-se com uma admiradora, Larissa Trimbobler. Os dois tiveram um filho no ano passado.

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