Assembléia aprova resolução sobre tratamento de aids

Depois de cinco de dias de debates e da intervenção dos principais ministros da saúde do mundo, a comunidade internacional aprovou hoje, por unanimidade, uma resolução sobre o tratamento de aids. A proposta foi apresentada pelo Brasil durante a Assembléia Mundial da Saúde, em Genebra, mas o texto final da resolução não foi o que o País esperava.As pressões do governo dos Estados Unidos, União Européia, lobistas e mesmo de países em desenvolvimento, como a África do Sul, exigiram que o Brasil aceitasse um texto mais flexível. "Não foi completamente o que queríamos, mas podemos considerar uma vitória ", afirmou o coordenador do Programa de Combate às Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids no Brasil, Paulo Roberto Teixeira. Ele considera o texto produto de um consenso internacional, mas baseado em uma proposta brasileira.De acordo com Teixeira, a pressão contra o Brasil foi tanta que o embaixador em Washington, Rubens Barbosa, foi chamado à Casa Branca para debater o assunto e o Secretário de Saúde dos Estados Unidos, Tommy Thompson, permaneceu três dias em Genebra negociado a resolução.Um dos principais pontos de conflito era a referência a preços diferenciados para remédios nos países pobres. Washington não aceitava a idéia, alegando que o que deve prevalecer são as leis do mercado. O resultado foi um texto que fala em preços mais baixos para populações carentes, não para países.Outro ponto ainda não solucionado é a composição do fundo internacional para financiar as compras de remédios pelos países em desenvolvimento. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, defende a criação do mecanismo, mas o Brasil quer que o fundo não fique nas mãos dos doadores, que decidiriam para quem iria a verba.A proposta brasileira da relação mundial de preços de remédios também sofreu modificações. A idéia foi mantida, mas os países vão dar as informações de forma voluntária.Não foi apenas o Brasil que cedeu. Temendo que em uma eventual votação o governo pudesse ganhar o apoio dos países em desenvolvimento, Estados Unidos e UE aceitaram a manutenção de um pedido no texto para que os governos estimulem a produção de genéricos nos países, além de garantir que o acesso aos remédios é um direito humano.

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