Assembleia da ONU apoia plano contra doenças crônicas

O mundo corre riscos econômicos se os governos não conseguirem se aliar à iniciativa privada no combate a doenças letais como o câncer e o diabetes, disseram participantes de um evento especial da ONU sobre doenças crônicas.

LEWIS KRAUSKO, REUTERS

19 Setembro 2011 | 20h39

A sessão da Assembleia Geral da ONU a respeito de doenças não-transmissíveis continua na terça-feira. Essa é apenas a segunda vez na sua história que a entidade realiza um evento desses para discutir questões globais de saúde -- a primeira, há dez anos, abordou a epidemia de Aids.

"Nossa colaboração é mais do que uma necessidade de saúde pública. As doenças não-transmissíveis são uma ameaça ao desenvolvimento", disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, na reunião. "As doenças não-transmissíveis atingem os pobres e vulneráveis de forma particularmente dura, e os levam a se afundarem mais na pobreza."

Segundo o Fórum Econômico Mundial, as doenças crônicas matam 36 milhões de pessoas por ano e custarão quase 47 trilhões de dólares à economia mundial nos próximos 20 anos. O número de mortes pode subir a 52 milhões por ano nesse período, estima a Organização Mundial da Saúde.

O desafio de criar um plano global de ação contra doenças cardíacas, câncer, diabetes, doenças mentais e doenças respiratórias é difícil e complexo. Muitos desses males estão vinculados a maus hábitos envolvendo alimentação, tabagismo, consumo de álcool e sedentarismo.

Por isso, os governos precisam cooperar com empresas que produzem alimentos, remédios e cigarros, e também com empregadores que mantêm locais de trabalho ambientalmente nocivos.

A reunião já começou com as expectativas esvaziadas, pois os países ricos e as empresas multinacionais dificilmente aceitarão sofrer um impacto financeiro em curto prazo para ajudar a financiar e promover iniciativas de saúde em nações mais pobres.

Na segunda-feira, a Assembleia Geral adotou uma declaração reconhecendo o ônus econômico e social das doenças crônicas, mas sem estabelecer metas específicas para a redução do seu impacto.

As recomendações incluem a promoção de dietas mais saudáveis, ambientes de trabalho livres do cigarro, programas para exames contra o câncer e estímulo ao aleitamento materno durante cerca de seis meses após o parto, além de estimular alianças para a descoberta de novos remédios.

Mesmo vago, o esforço é importante, segundo especialistas. "Isso chamou muito a atenção para as doenças não-transmissíveis", disse o professor de saúde pública K.M. Venkat Narayan, da Universidade Emory, em Atlanta, que participou da reunião.

"O que falta é um compromisso com a ação... Todos estão falando no que já fizeram até agora. Não estão falando não que precisa ser feito e no que será preciso para isso."

A OMS disse no domingo que os países mais pobres poderiam adotar medidas para prevenir e tratar milhões de casos de câncer, doença cardíaca, diabetes e doenças pulmonares, gastando para isso a partir de 1,20 dólar por pessoa por ano.

Uma das maiores incógnitas é o papel das grandes empresas alimentícias e do tabaco, cujos produtos já sofrem forte vigilância nas nações desenvolvidas devido à sua influência sobre a incidência de obesidade e doenças respiratórias.

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