Assembleia da ONU condena Síria e critica ação do Conselho de Segurança

Em mais um sinal de isolamento internacional, o regime de Bashar Assad foi condenado ontem pela Assembleia-Geral da ONU em resolução aprovada em Nova York. Foram 133 votos a favor, incluindo o do Brasil, 12 contra e 31 abstenções. A resolução incluiu um trecho "lamentando o fracasso do Conselho de Segurança das Nações Unidas em aprovar medidas que garantissem que autoridades sírias cumprissem as determinações da ONU".

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2012 | 03h03

A Assembleia-Geral, indiretamente, criticou Moscou e Pequim por colocar os próprios interesses econômicos à frente da paz. A aprovação ocorreu pouco depois de o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fazer um duro discurso comparando o cenário na Síria a Ruanda e Bósnia, onde a comunidade internacional fracassou em não impedir a violência. "O conflito sírio é um teste para tudo o que prega esta organização. Não quero que a ONU fracasse nesse teste."

O texto, redigido por Arábia Saudita e Catar, pede ainda uma transição para a democracia e condena o uso de armas pesadas por parte das autoridades sírias, incluindo o bombardeio com tanques e helicópteros a centros urbanos e o fracasso em manter as tropas nos quartéis.

As facções armadas da oposição, que, segundo relatos, também passaram a usar armas pesadas nos últimos dias e são acusadas de execuções de simpatizantes do regime, não foram mencionadas diretamente. Apenas em um trecho da resolução há uma crítica a "qualquer forma de violência, independentemente de onde ela vier".

A saída de Assad "seria bem-vinda", mas não há uma exigência para ele deixar o cargo, conforme defendem os EUA. Tampouco se fala em sanções. O abrandamento em relação à proposta inicial ocorreu graças a exigências feitas por alguns países.

Simbolismo. Por ser na Assembleia-Geral, a resolução tem apenas peso simbólico e demonstra o isolamento de Assad. Os membros da ONU não são obrigados a adotar as determinações do texto, diferentemente do que ocorreria no Conselho de Segurança, onde Rússia e a China têm usado seu poder de veto para impedir ações mais duras contra a Síria.

Embora o tom tenha sido ameno, segundo Washington, o resultado foi celebrado pela embaixadora americana na ONU, Susan Rice. "Apesar da oposição de alguns países, a maioria dos membros claramente se posicionou com o povo sírio e suas aspirações legítimas", disse.

Rússia e China, ao lado de países como Cuba, Coreia do Norte, Venezuela e Nicarágua, foram contra. O embaixador russo, Vitali Churkin, disse que a resolução "viola a Carta da ONU, pois o tema está sendo debatido no Conselho de Segurança".

O embaixador da Síria, Bashar Jaafari, qualificou a votação de "teatro" e chamou a Arábia Saudita e o Catar de "ditaduras despóticas". Assim como outros países, ele frisou que as duas nações estão armando os opositores.

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